Polémica pelo Prémio da Paz para Trump tem novo capítulo
O Prémio da Paz foi entregue ao presidente dos EUA no dia 5
de dezembro de 2025, em Washington, pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Isto aconteceu durante o sorteio do Mundial-2026. No entanto, os contornos desta iniciativa permanecem envoltos em
forte secretismo, provocando uma onda de contestação dentro da
Federação.
Durante a cerimónia, Infantino elogiou os esforços
incansáveis de Trump para unir as pessoas num espírito de paz.
No entanto, a entrega do prémio foi planeada por menos de uma dezena de
colaboradores e apanhou de surpresa a esmagadora maioria dos funcionários.
Falando sob condição de anonimato, um membro do Conselho da FIFA disse ao Le
Monde que soube do troféu pela imprensa. “Infantino
faz tudo isso com o dinheiro da FIFA sem consultar ninguém. O Conselho da FIFA
trata de assuntos triviais, e Infantino decide tudo”, mencionou.
Criticando a falta de transparência, a fonte garantiu que a FIFA “está longe de
ser uma organização democrática e moderna que opere segundo os princípios da
boa governança”.
O caso escalou para o plano jurídico. Três dias após a
entrega do prémio, a organização não governamental FairSquare avançou com uma
queixa na Comissão de Ética da FIFA, alegando que Infantino desrespeitou a neutralidade política
exigida pelos estatutos da entidade.
Mais recentemente, a Federação Norueguesa de Futebol,
liderada por Lise Klaveness, apresentou também uma queixa ao Comité para exigir
esclarecimentos sobre as motivações de Infantino, sobre
os critérios de atribuição do prémio e sobre a possível recorrência da entrega
do mesmo.
O silêncio da comissão de ética está a levantar suspeitas.
Hans-Joachim Eckert, antigo copresidente desta comissão, afastado em 2017,
defende que o caso tem de ser investigado de imediato e aponta para a
possibilidade de um crime de desvio de fundos – caso se confirme que a FIFA
pagou o troféu sem qualquer aprovação interna. Eckert lamenta que o tribunal da FIFA tenha perdido independência e esteja agora controlado por “pessoas escolhidas
por Infantino”.
Miguel Poiares Maduro, ex-presidente
do comité de governação da FIFA, que também foi afastado em 2017,
considera que Infantino já não se preocupa com a imagem que projeta. “A
verdadeira questão não é se o sr. Infantino vai mudar as coisas, mas se as
autoridades governamentais e as instituições políticas se interessarão por
ele”, explicou.
O presidente da FIFA já foi
investigado e ilibado pela
Comissão de Ética em duas ocasiões: em 2016, após uma investigação formal sobre
voos em jatos privados pagos pela Rússia e pelo Qatar, e em 2020, após terem
vindo a público reuniões secretas com o então procurador-geral suíço, Michael
Lauber. A própria justiça suíça abriu um processo-crime contra Infantino, mas
acabou por arquivá-lo em 2023 por falta de provas.
Como reflexo desta alegada complacência, o tribunal interno
da FIFA nunca investigou outras figuras altamente influentes do futebol. É o
caso de Nasser Al-Khelaïfi (“NAK”), presidente do Paris Saint-Germain. Embora
tenha sido absolvido judicialmente na Suíça, três tribunais criminais
sucessivos, entre 2020 e 2025, disseram que o líder do clube francês e o
ex-número dois da FIFA, Jérôme Valcke, celebraram um pacto de corrupção, com
Al-Khelaïfi a subornar Valcke em troca de favores.
Fonte: Observador, 22 de junho de 2026

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