Politico recusou publicar artigo de Lavrov sobre UE e Ucrânia. O que diz?
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O Politico
Europe terá recusado, à última hora, publicar um artigo de opinião do
ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov. No texto,
posteriormente divulgado por Moscovo, o chefe da diplomacia russa faz duras
críticas à União Europeia, à NATO e ao Ocidente
O Politico-Europe, a edição europeia do site de
notícias POLITICO, terá recusado publicar um artigo de opinião do ministro dos
Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, numa decisão de "última
hora". O texto, posteriormente partilhado por Moscovo, contém várias
críticas à União Europeia (UE).
"Este artigo de Sergey Lavrov estava inicialmente
previsto ser publicado no jornal Politico-Europe, sediado em Bruxelas,
mas, devido a uma decisão de última hora da equipa editorial, a publicação foi
cancelada", indicou o ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, no
seu site, esta sexta-feira.
No documento, Lavrov
considerou que "mais de duas décadas de negociação" com a Europa
provam apenas que "o diálogo com a Rússia serviu de cortina de fumo
diplomática para a expansão geopolítica das instituições ocidentais, sobretudo
a NATO e a União Europeia, para leste, até às fronteiras da Rússia".
O ministro acusou a União Europeia de "alimentar a
crise ucraniana" e de ser responsável de, com os Estados Unidos,
"orquestrar a Revolução Laranja", em Kiev, em 2004, que levou à
anulação dos resultados das eleições presidenciais desse ano e à realização de
uma nova segunda volta.
"Para criar uma base
anti-Rússia na Ucrânia, passaram anos a comprar políticos e partidos inteiros,
a reescrever a história e os currículos educativos, a cultivar e a alimentar o
nacionalismo ucraniano e a fazer de tudo para afastar a Ucrânia da Rússia",
acusou Lavrov.
Lavrov disse, ainda, que o Ocidente é responsável pelos
protestos Euromaidan, desencadeados em novembro de 2013 devido à decisão do
então presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, de suspender as negociações com
a UE em favor de uma aproximação à Rússia.
Além disso, Lavrov acusou o Ocidente pela mudança de poder em Kiev, pela ascensão do nacionalismo ucraniano e pelo colapso dos Acordos de Minsk, que, segundo o próprio, tiveram apenas como objetivo "ganhar tempo: fortalecer as Forças Armadas da Ucrânia e inundá-las com armamento ocidental".
Para o ministro russo, o
"verdadeiro objetivo dos líderes europeus não é negociar com a
Rússia", mas sim "fortalecer o regime" do presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, e "preservá-lo como plataforma de lançamento para a
continuidade do confronto contra a Rússia".
"Com isto em mente, os líderes europeus estão a
esforçar-se para garantir um cessar-fogo o mais rapidamente possível e por uma
única razão: evitar o colapso das Forças Armadas da Ucrânia no campo de
batalha. O plano é 'congelar' o conflito sem abordar as suas causas profundas
e, em seguida, mobilizar rapidamente contingentes militares da 'coligação dos
dispostos' anglo-francesa em solo ucraniano", atirou.
Lavrov alertou que a "situação atual representa sérias
ameaças à segurança global", uma vez que "um confronto direto entre a
NATO e a Rússia poderá rapidamente escalar para uma troca de ataques nucleares,
com consequências catastróficas".
Frisando que a Europa "continua a atribuir planos
agressivos à Rússia" que "vão muito além para a Ucrânia", o
ministro sublinhou que o presidente russo, Vladimir Putin, já declarou "em
diversas ocasiões que tudo isto é um absurdo, uma provocação e
desinformação".
Lavrov defendeu que a Rússia está interessada em negociar,
no entanto, não vê a Europa como mediadora, mas sim "como uma parte
empenhada na derrota da Rússia". "O diálogo com a Europa não pode,
portanto, ser conduzido como se fosse um observador imparcial", referiu.
Sublinhe-se que, na quarta-feira, foi conhecido que o
presidente do Conselho Europeu, António Costa, já iniciou breves contactos
diplomáticos para abrir vias de comunicação com a Rússia, face a futuras
negociações de paz com a Ucrânia.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.
Fonte: Notícias ao Minuto, 19 de junho de 2026


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