Provedora Europeia de Justiça acusa Comissão de má administração por apagar mensagens
A provedora Europeia de Justiça, Teresa Anjinho, considerou “má administração” da Comissão Europeia a prática de apagar mensagens de texto no telemóvel da presidente da instituição, Ursula von der Leyen.
Após um inquérito sobre uma queixa de um jornalista a quem
foi negado o acesso a uma mensagem do presidente Emmanuel Macron e von der
Leyen sobre o acordo comercial UE-Mercosul,
alegando que esta tinha sido automaticamente apagada, a provedora referiu ainda
não ter sido confirmado
se a mensagem em causa tinha sido apagada – no âmbito da ativação da
funcionalidade ‘mensagens efémeras’ no telemóvel da destinatária – antes ou
depois da queixa do jornalista.
De acordo com um comunicado da provedora, também não foi possível apurar
se a Comissão procurou a mensagem quando recebeu o pedido ou se apenas o fez um
ano mais tarde, quando respondeu ao inquérito.
Teresa Anjinho recomendou assim “que a instituição reveja e
melhore os procedimentos aplicáveis aos pedidos de acesso público” quando
esteja envolvido o gabinete da presidente ou de qualquer comissário.
A provedora quer ainda que o executivo comunitário
“conserve, durante um período razoável, todas as mensagens de texto trocadas
entre chefes de Estado ou de governo e comissários, bem como entre ministros e
comissários, de modo a permitir o eventual
escrutínio público através de pedidos de acesso”.
Na conferência de imprensa diária, um porta-voz da Comissão
referiu que as observações de Anjinho serão “cuidadosamente analisadas”,
acrescentando que o executivo comunitário
reconhece a importância das obrigações de transparência e recomenda
que estas sejam aplicadas em todas as instituições europeias.
Um caso semelhante tinha já ocorrido durante a pandemia da
Covid-19, com um jornalista do New York Times impedido de consultar mensagens trocadas
entre Ursula von der Leyen e o responsável da Pfizer, que teriam sido
igualmente apagadas.
Fonte: Lusa, 5 de junho de 2026

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