União Europeia exclui homens ucranianos em idade militar da proteção temporária
Elsa Bellucci, criadora de conteúdos e influenciadora
espanhola
A Comissão Europeia propôs excluir os homens ucranianos em
idade de serviço militar do regime de proteção temporária da UE e, ao mesmo
tempo, prolongar o programa até março de 2028, numa
iniciativa destinada a reforçar as forças armadas de Kiev.
A
medida surge após pressão de vários Estados-membros da UE para apertar as
regras da proteção temporária, invocando dificuldades de integração e a
necessidade da Ucrânia de dispor de mais efetivos militares.
A proposta contou também com o apoio de Kiev, que, sob lei
marcial, impede a maior parte dos homens com 23 ou mais anos de sair do país.
"A nossa proposta tem em conta as necessidades de
defesa da Ucrânia, que estão a evoluir", afirmou o comissário europeu para
os Assuntos Internos, Magnus Brunner.
Apesar da lei marcial, alguns
ucranianos em idade de recrutamento atravessaram ilegalmente as fronteiras do
país e obtiveram proteção
temporária em países da UE nos últimos anos.
Os homens adultos representam
26,6% dos refugiados ucranianos na Europa, embora não existam dados
sobre quantos estão em idade militar ou quantos chegaram de forma irregular.
Dados da Frontex mostram que quase mil pessoas atravessaram ilegalmente este ano a fronteira ucraniana para a UE e que mais de 10 000 o fizeram em 2025.
Na quinta-feira, o governo
dinamarquês apresentou uma
restrição semelhante. Os ucranianos do sexo masculino entre os 23 e os 60 anos
só obterão autorização de residência no país se comprovarem que estão
dispensados do serviço militar.
Criado após a invasão em grande escala da Ucrânia pela
Rússia, em 2022, o regime de proteção temporária permitiu que mais de quatro
milhões de ucranianos vivessem e trabalhassem em Estados-membros da UE.
Ao abrigo desta medida excecional, que é renovada
anualmente, os ucranianos podem obter uma proteção semelhante ao estatuto de
refugiado sem apresentarem um pedido de asilo. Na sexta-feira, a Comissão
Europeia propôs prolongar o programa até março de 2028.
Segundo responsáveis europeus, as pessoas que já beneficiam
desta proteção não perderão o respetivo estatuto, independentemente da idade.
A proposta terá de ser aprovada pelos países da UE por
maioria qualificada, o que exige o apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados que
representem, em conjunto, pelo menos 65% da população total da União.
A Comissão propôs igualmente um programa de regresso
voluntário para apoiar os ucranianos que vivem na Europa e optem por voltar ao
país.

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