Vídeo da polícia mostra assassino de Henry Nowak a mentir sobre ataque racista após esfaqueamento

 

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As imagens captadas pelas câmaras corporais dos agentes revelam que Vickrum Digwa, condenado a prisão perpétua pelo homicídio de Henry Nowak, alegou falsamente ter sido vítima de um ataque racista momentos depois de esfaquear o estudante.

As imagens das denominadas bodycams (câmaras corporais) da polícia divulgadas, esta sexta-feira, pelo jornal britânico The Guardian, mostram Vickrum Digwa, de 23 anos, a mentir aos agentes sobre as circunstâncias que levaram à morte de Henry Nowak, o estudante de 16 anos assassinado em Southampton, no Reino Unido. O caso desencadeou uma onda de manifestações e está agora no centro de uma investigação à atuação da polícia.

Digwa, que foi condenado a prisão perpétua, com um período mínimo de 20 anos de prisão, alegou aos agentes que tinha sido alvo de insultos racistas e que Henry Nowak lhe tinha arrancado o turbante, uma versão que o tribunal concluiu ser falsa.

Quando os agentes chegaram ao local, Digwa afirmou que o jovem estava "obviamente bêbado" e que o tinha atacado. Nas imagens, ouve-se o condenado dizer que Nowak lhe chamou "Paki", um insulto racista dirigido a pessoas de origem sul-asiática, antes de lhe puxar o cabelo e retirar o turbante.

"Sou sikh e ele começou a puxar-me o cabelo e a arrastar-me", afirma Digwa. "Disse-lhe apenas para seguir o seu caminho, porque estava claramente embriagado, mas ele começou a escalar a situação."

Pouco depois, um agente pergunta-lhe como é que Henry Nowak ficou gravemente ferido. Digwa responde inicialmente: "Que ferimento?". Perante a insistência da polícia, acaba por dizer: "Deve ter sido quando lhe demos um murro. Também caiu ali, estava a trepar aqueles caixotes e caiu contra aquele carro."

Na realidade, Henry Nowak tinha sido esfaqueado com uma kirpan, uma lâmina cerimonial sikh com cerca de 20 centímetros que Digwa transportava consigo.

As imagens mostram ainda que o agressor não foi imediatamente algemado. Em contraste, Henry Nowak foi algemado pelos próprios agentes enquanto estava gravemente ferido. Durante esse momento, o adolescente pode ser ouvido a dizer: "Não consigo respirar."

Quando é finalmente informado de que está detido por tentativa de homicídio, Digwa reage com surpresa: "Tentativa de homicídio? Porque é que estou a ser preso?"

O agente responde que a polícia ainda não sabe exatamente o que aconteceu e precisa de investigar, acrescentando: "Não estou a dizer que fizeste alguma coisa, amigo."

Digwa insiste então: "Fui vítima de um ataque racista." Ao que o polícia responde: "Eu sei, eu sei."

O pai de Digwa também surge nas imagens a apoiar a versão do filho. "O meu filho foi agredido. Aquele homem que está no chão agrediu o meu filho", afirma aos agentes.

Contudo, durante o julgamento, o juiz William Mousley KC rejeitou por completo essa narrativa.

"Tenho a certeza de que Henry não disse nada de racista. É a única pessoa que faz essa alegação e ela é completamente incompatível com o carácter que o jovem sempre demonstrou", afirmou o magistrado durante a leitura da sentença.

A acusação apresentou ainda imagens gravadas antes da chegada da polícia que mostram Digwa com o turbante colocado, contrariando a versão de que este lhe teria sido arrancado. Os procuradores defenderam que o próprio o retirou para reforçar a ideia de que era a vítima da agressão.

Antes de ser esfaqueado, Henry Nowak começou a gravar Digwa com o telemóvel depois de reparar que este transportava a lâmina cerimonial. Esse vídeo nunca foi divulgado publicamente.

A revelação de que Henry Nowak foi algemado enquanto agonizava e acusado injustamente de racismo provocou uma forte onda de indignação em Southampton, culminando em vários protestos e confrontos. Pelo menos 25 pessoas foram acusadas de desordem violenta.

A atuação da Polícia de Hampshire está atualmente a ser investigada pelo Gabinete Independente de Conduta Policial (IOPC, sigla em inglês), o organismo independente responsável pela supervisão das forças policiais em Inglaterra e no País de Gales.

Fonte: 24 Notícias, 26 de junho de 2026

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