Andrés Escobar foi morto após eliminação da Colômbia
Há 32 anos, o Mundial realizado nos Estados Unidos foi
marcado por uma morte trágica: após ter marcado um autogolo a favor dos
norte-americanos, o jogador colombiano Andrés Escobar foi assassinado em
Medellín, na Colômbia, quando foi confrontado pelos traficantes de droga
Santiago Gallón Henao e Pedro Gallón Henao.
“Ainda choro pelo meu irmão”, lamenta o jogador Santiago
Escobar, em entrevista ao The Athletic, que lembra o contexto do
assassinato do seu irmão.
A Colômbia apurou-se para o Mundial de 1994, mas a prestação
da equipa fez com que os jogadores recebessem ameaças de morte de membros de
cartéis da droga colombiana. Após uma derrota contra a Roménia (3-1) e uma
vitória contra a Suíça (2-0), o jogo com os Estados Unidos, a realizar no dia
26 de junho desse ano, seria decisivo para a qualificação do país para os
oitavos de final.
“Antes e depois do jogo contra os Estados Unidos, o Andrés
não me disse nada sobre estas coisas”, lembra Santiago. As ameaças foram
afixadas nas televisões dos quartos de hotel de toda a equipa. Na véspera, o
irmão do defesa Luis Herrera morrera num acidente de carro.
No jogo contra os Estados Unidos, Andrés Escobar marcou um
dos golos da equipa colombiana. No entanto, tratou-se de um autogolo, que deu
vantagem aos norte-americanos, que venceram por 2-1, eliminando o país.
“Foi muito difícil para nós como família, porque estávamos
no estádio e foi muito penoso ver o Andrés no relvado daquela forma”, recorda o
irmão. A eliminação do país seria seguida do assassinato do jogador alguns dias
depois, a 2 de julho de 1994.
Andrés Escobar tinha saído com amigos em Medellín, na
Colômbia, apesar dos avisos do irmão, que temia o pior e o tinha previamente
aconselhado a ficar em Las Vegas. Na madrugada desse dia, foi abordado pelos
traficantes Santiago Gallón Henao e Pedro Gallón Henao, quando saía de um bar
com o amigo Eduardo Rojo e a sua esposa.
“[Santiago e Pedro] ridicularizaram-no, insultaram-no com
ofensas homofóbicas e, de acordo com Rojo, agarraram as nádegas de Andrés”,
refere o The Athletic, que se baseia no documentário da ESPN The Two
Escobars. O jogador acabou por se dirigir para o carro, furioso, e “acabou por fazer marcha atrás em direção ao grupo que o
tinha confrontado”. Momentos depois, foram disparados seis tiros que
mataram o jogador no local.
Foi o jogador da seleção Gabriel Gómez que informou a
família, contactando o hotel onde estavam, em Las Vegas. “Ele disse-nos
‘mataram o Andrés'”, lembra Santiago, que refere que os momentos seguintes
foram de “caos” e que o irmão “não merecia morrer daquela maneira”.
O guarda-costas dos irmãos Gallón, Humberto Muñoz Castro,
acabou por confessar o crime, tendo sido condenado a 43 anos de prisão. No
entanto, apenas cumpriu 11, com os irmãos condenados a 15 meses por
cumplicidade.
Em 1994, o país enfrentava uma guerra contra o narcotráfico,
sobretudo contra o Cartel de Medellín, liderado por Pablo Escobar, morto no ano
anterior (não há qualquer relação familiar entre os dois).
Fonte: Observador, 1 de julho de 2026

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