Caso Balogun ainda mexe. Decisão da FIFA tomada por uma única pessoa

 

Laura Marano - Boombox

Mohammad Al-Kamali, presidente do Comité Disciplinar da FIFA, tomou a decisão sozinho, não fazendo qualquer diligência no sentido de debater o caso com os 17 outros membros, ao contrário do que acontece regularmente

A polémica em torno do caso de Folarin Balogun ganhou uma nova dimensão, depois de o The Times revelar, no domingo, que a decisão de suspender o cartão vermelho mostrado ao jogador dos Estados Unidos, diante da Bósnia, foi tomada por apenas uma única pessoa do Comité Disciplinar da FIFA, que é composto por... 18 membros.

Mohammad Al-Kamali, presidente do órgão disciplinar, tomou a decisão sozinho, não fazendo qualquer diligência no sentido de debater o caso com os outros membros do Comité, ao contrário do que acontece regularmente.

De resto, e tendo em conta os relatórios publicados, este foi o primeiro caso em mais de 100 a ser decidido com Al-Kamali a ser o único responsável. 

O Comité Disciplinar da FIFA acabaria, assim, por permitir que Balogun fosse a jogo nos oitavos de final do Mundial2026, diante da Bélgica, depois de Donald Trump, presidente dos EUA, ter telefonado diretamente para Gianni Infantino, presidente da FIFA, e pedir que a expulsão frente à Bósnia fosse revista.

"Pedi uma revisão porque não achei que fosse falta. Limitei-me a pedir que o lance fosse revisto, não disse que tinham de tomar esta ou aquela decisão. Não lhes posso dizer o que fazer", afirmou Trump.

O líder norte-americano acabaria, mais tarde, por classificar a decisão da FIFA em anular o cartão vermelho, como "brilhante", lançando ainda dúvidas em torno do árbitro que ajuizou a partida.

Por sua vez, Infantino também confirmou ter sido contactado por Trump, mas garantiu que a chamada do presidente dos EUA não teve qualquer interferência no desfecho do processo.

"Os órgãos judiciais da FIFA são independentes e atuam de forma autónoma. Aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nos regulamentos em vigor e nos factos específicos de cada processo. A sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol", defendeu Infantino.

Não faltaram, posteriormente, críticas à decisão de despenalizar o jogador dos EUA e a UEFA chegou mesmo a apontar o dedo à FIFA, dizendo que "foi ultrapassada uma linha vermelha".

FIFA não perdoa Quansah

O caso de Jarell Quansah não teve o mesmo desfecho e o defesa de Inglaterra foi alvo de uma suspensão de dois jogos, depois de ter visto um cartão vermelho contra o México.

Menos de uma semana depois do mesmo organismo ter suspendido o cartão vermelho mostrado a Folarin Balogun, dos EUA, a FIFA optou por aplicar um castigo ao defesa inglês que, assim, só poderá voltar a competir neste Campeonato do Mundo caso Inglaterra chegue à final.

Quansah já ficou de fora do duelo contra a Noruega (2-1), no último sábado, e terá agora de torcer por uma vitória de Inglaterra diante da Argentina, nas meias-finais, para poder voltar a jogar neste Mundial2026.

O duelo está agendado para as 20h00 (horário de Portugal Continental) de quarta-feira, sendo que 24 horas antes, na terça-feira, será conhecido o primeiro finalista desta edição do Campeonato do Mundo. Espanha e França são as primeiras seleções a entrarem em campo, já com a final, agendada para domingo, dia 19 de julho, no horizonte.

Fonte: Notícias ao Minuto, 13 de julho de 2026

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