Cientista americano que monitorizava testes nucleares da Coreia do Norte detido há quase dois anos

 

Youlin Chen enfrenta acusações de espionagem, o que pode levar a prisão perpétua ou pena de morte na China. O seu trabalho inclui vários projetos financiado pelo Governo dos Estados Unidos

Um cientista norte-americano que monitorizava testes nucleares da Coreia do Norte está detido na China há quase dois anos, acusado de espionagem.

Youlin Chen, de 54 anos, foi detido no dia 5 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Pequim, após visitar os pais, segundo a agência Reuters.

A família decidiu tornar o caso público agora, uma vez que não recebeu qualquer sinal de que a China tenciona libertar o cientista.

Já antes, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio designou o cientista especializado em sismologia como "detido injustamente”, tornando a sua libertação uma prioridade dos Estados Unidos.

A mulher, Yufang Rong, também sismóloga, diz estar “preocupada” porque não consegue falar com o marido.

As autoridades chinesas terão interrogado Youlin Chen sobre o seu trabalho com os testes nucleares norte-coreanos mais de 100 vezes e não o terão deixado consultar um advogado nos primeiros 13 meses de detenção, denuncia a mulher.

Adicionalmente, foi submetido a “condições severas” e impossibilitado de ter acesso a medicamentos.

O americano foi visitado várias vezes por funcionários da embaixada dos Estados Unidos, contudo, a mulher acusa as autoridades chinesas de não o deixarem falar livremente.

Yufang Rong garante ainda que o trabalho do marido, que inclui vários projetos financiado pelo governo dos Estados Unidos, foi feito “de forma transparente".

De acordo com a agência Reuters, o governo chinês assegura, quando questionado sobre o caso, que as autoridades “tratam os casos de acordo com a lei”.

"Não existe nada que se possa chamar de detenção injusta", assegurou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian.

Youlin Chen nasceu na China, mas tornou-se cidadão norte-americano em 2011. Vive em Boston, no estado de Massachusetts.

O presidente norte-americano, Donald Trump, abordou a detenção de Youlin Chen em maio, durante um encontro com o homólogo chinês em Pequim, pedindo a sua libertação.

Na China, o crime de espionagem pode levar a prisão perpétua ou pena de morte.

Youlin Chen especializou-se na utilização de dados sismológicos para detetar testes nucleares e participou em vários projetos financiados pelo governo dos Estados Unidos.

Fonte: SIC Notícias, 15 de julho de 2026

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