Compra de fragatas terá retorno “assinalável” para economia, garante ministério da Defesa

Empresas nacionais estarão envolvidas em áreas como sistemas de combate e software operacional, simuladores e sistemas integrados de comunicações, indica ministério da Defesa, sem adiantar valores

A compra de três fragatas FREMM EVO a Itália por cerca de 3,9 mil milhões de euros vai ter um retorno “assinalável” para a economia nacional, com o envolvimento de empresas portuguesas em área como simuladores, sistemas integrados de comunicação ou sistemas de combate, bem como melhorias no Arsenal do Alfeite, garante o ministério da Defesa ao ECO/eRadar.

No caso das Fragatas FREMM EVO em concreto, será assinalável o retorno para a economia nacional, com a construção de uma doca flutuante, sistemas de combate e software operacional, simuladores e sistemas integrados de comunicações, a cargo de empresas portuguesas que mercê da sua experiência e capacidade asseguram um baixo risco perante os constrangimentos SAFE na execução do âmbito respetivo”, adianta fonte oficial do ministério da Defesa, ao ECO/eRadar, embora sem avançar com uma estimativa de valores do impacto na economia portuguesa com esta aquisição.

“É ainda de relevar a revitalização do Arsenal do Alfeite, que será alvo de capacitação e transferência de tecnologia, bem como de investimento significativo na recapacitação”, reforça a mesma fonte.

O ministério da Defesa não adianta, todavia, que valor será investido nessa capacitação. Em março, durante uma audição da Comissão de Defesa, Nuno Melo, tinha referido que a compra das fragatas para reforçar a Marinha Portuguesa deveria implicar um investimento entre 150 a 200 milhões de euros.

“Em momento oportuno será detalhado o investimento pensado para o Arsenal do Alfeite”, diz apenas fonte oficial do ministério da Defesa.

“Importa assegurar que o Arsenal do Alfeite terá capacidade para prestar os serviços necessários em favor da Marinha, relacionados com as características de navios de última geração, altamente tecnológicos”, refere. “Isso implicará investir em ações de dragagem, modernização de equipamentos e infraestruturas e formação de trabalhadores”, reforça.

As três fragatas adquiridas têm um comprimento total de 144 metros, um comprimento entre perpendiculares (distância horizontal exata entre a proa e a popa) de 132,5 metros e conta com 19,7 metros de largura máxima, refere a Fincantieri no seu site. E têm um calado de 5,10 metros — a profundidade a que o casco fica submerso —, o que lhes permite entrar em diversos portos e zonas litorais sem comprometer a estabilidade. Cada fragata opera com uma tripulação base de 145 militares, mas pode acolher até 179.

Primeiro contrato SAFE fechado

O contrato com Itália e com o estaleiro Fincantieri é o primeiro a ser fechado por Portugal no âmbito do SAFE, programa militar de empréstimo europeu através do qual Portugal assegurou uma fatia de 5,8 mil milhões de euros. É também aquele que vai absorver a maior fatia desse montante — cerca de 3,9 mil milhões de euros —, mas previsto está ainda a compra de outros equipamentos para capacitar as Forças Armadas nacionais, como veículos blindados de rodas, satélites ou drones.

Também estas aquisições irão gerar retorno para a economia portuguesa, garante o ministério liderado por Nuno Melo, embora sem adiantar valores.

“De sublinhar, para lá do investimento em concreto nas Fragatas, a circunstância de ter sido condição imposta pelo ministério da Defesa Nacional, que grande parte dos equipamentos venham a ser produzidos em Portugal, em colaboração com empresas já existentes, ou a instalar”, destaca fonte oficial do ministério da Defesa ao ECO/eRadar. “Assim sucederá com a produção de satélites, veículos blindados ou munições, que se acredita acontecerá em Portugal”, detalha.

Esta estratégia garantirá a criação de clusters que alavancarão à sua volta parte importante do tecido empresarial português. Pense-se, por exemplo, no efeito potenciador da AutoEuropa, ao tempo”, aponta.

“A dimensão de retorno económico e financeiro direto e indireto será gigantesca, mas difícil de quantificar em conjunto no momento presente, por depender de múltiplas dinâmicas do próprio mercado.”

Para quando o desembolso do cheque SAFE?

O desembolso da primeira tranche de 15% do montante garantido via SAFE ainda não ocorreu, embora inicialmente sido apontado para março. Como este acordo, as condições do desembolso da primeira tranche do SAFE ficam cumpridas?

“As condições para o financiamento SAFE são independentes do acordo ontem celebrado, e estão lavradas no Acordo de Empréstimo, a ser assinado pelo ministério das Finanças e ministério da Defesa Nacional com a Comissão Europeia. Este será celebrado após o procedimento interno, em curso”, refere apenas fonte oficial do ministério da Defesa sem apontar uma data.

Fonte: Eco, 21 de julho de 2026

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