Debandada de 60 militantes no Bloco: direção lamenta saída e fala em divergências sobre apoio à Ucrânia
Diana Maia
A direção do BE lamentou hoje a desvinculação de 60
militantes de um grupo que tem “saído parcelarmente” e considerou que as
divergências se manifestam “há muito”, incluindo “na crítica da posição
solidária do Bloco com o povo ucraniano”.
Numa nota enviada à agência Lusa, o Secretariado do BE
reagiu à saída do partido de um grupo de 60 bloquistas, entre os quais o
histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro
Soares.
“Os membros do grupo Convergência, como é do conhecimento
público, têm vindo a sair parcelarmente do Bloco de Esquerda, numa decisão
programada e repetidamente anunciada na comunicação social”, começaram por
referir.
Segundo a direção do BE, “as divergências deste grupo
manifestam-se desde há muito”, dando como exemplo “a crítica da posição
solidária do Bloco com o povo ucraniano, vítima da invasão de Putin” [Rússia].
“O Bloco lamenta esta decisão, esperando encontrar todas
estas pessoas em lutas fundamentais da esquerda”, acrescentou.
Um grupo de 60 bloquistas, entre os quais o histórico da UDP
Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, anunciaram hoje a saída do BE por considerarem
que o seu partido acabou e criticando o rumo dos últimos anos.
“Sem pena, dadas as circunstâncias expostas, mas lamentando
o fim de um projeto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma
alternativa contra a hegemonia neoliberal, tendo como horizonte a radical
transformação da sociedade, deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco
acabou”, referiram num comunicado enviado às redações.
Entre os militantes que estão de saída e que já assumiram
diferentes responsabilidades no partido, destaque para o histórico da UDP Mário
Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, que se tem assumido nos últimos anos como
crítico da direção.
“O Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com
entusiasmo e empenho já não o é. Sabendo que muitos dos que ainda permanecem
são genuínos militantes por uma esquerda de combate”, referiram ainda.
Ao longo do texto voltam a ser feitas muitas críticas às
decisões do partido nos últimos anos – que chegou
a ser a terceira força política no parlamento e agora tem apenas um deputado
único –, sobretudo a partir do
fim da geringonça.
Fonte: CNN Portugal, 14 de julho de 2026

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