Engenheiro cria guarda-chuva voador que segue o utilizador

 

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Através de um sistema de voo autónomo, câmaras de profundidade e uma estrutura semelhante à de um drone, o protótipo consegue flutuar sobre a cabeça do utilizador e segui-lo sem intervenção humana

Um engenheiro canadiano criou um guarda-chuva que voa sozinho e segue autonomamente o utilizador. O projeto, desenvolvido por John Tse, tornou-se viral nas redes sociais, mas não exatamente pelos motivos esperados: grande parte da sua popularidade deve-se a um vídeo gerado por inteligência artificial (IA), que mostra uma versão muito mais avançada e eficiente do dispositivo.

Partilhado por várias contas, o vídeo já acumula dezenas de milhões de visualizações e milhares de comentários. Nas imagens, um guarda-chuva autónomo acompanha o utilizador de forma quase perfeita. A pessoa retratada é, aliás, uma versão gerada por IA do próprio inventor.

Apesar de o vídeo ser falso, a ideia é real. John Tse desenvolveu efetivamente um guarda-chuva voador e documentou todo o processo numa série de vídeos publicados no canal de YouTube I Build Stuff. O protótipo verdadeiro é visualmente semelhante ao que surge nas imagens geradas por IA, mas apresenta limitações: voa de forma menos estável e mantém uma distância maior da cabeça do utilizador.

A circulação do vídeo levou o próprio criador a alertar para a desinformação. “Vídeos falsos do meu guarda-chuva voador estão a receber mais de dez milhões de visualizações nos Reels e no X, por algum motivo mais do que o vídeo real. Aqui estão as filmagens originais. Por favor, ajudem a partilhar este reel para vencermos o AI slop”, escreveu no Instagram.

Da ideia ao primeiro protótipo

O primeiro protótipo ficou concluído em dezembro de 2023. Na altura, John Tse apresentou o projeto com uma pergunta simples: “Estamos em 2024. Porque é que preciso de segurar num guarda-chuva quando posso criar um que voa?”, escreveu na descrição do vídeo.

A primeira versão conseguia levantar voo e manter-se sobre o utilizador graças a uma estrutura tipo drone de quatro hélices instalada sob a cobertura do guarda-chuva. No entanto, dependia de um comando remoto e não era capaz de acompanhar automaticamente os movimentos de quem o utilizava.

As críticas e sugestões deixadas nos comentários apontavam precisamente essa limitação, o que levou o engenheiro a concentrar-se no desenvolvimento de uma versão totalmente autónoma.

Guarda-chuva voador 2.0

Em janeiro deste ano, John Tse revelou a segunda versão melhorada do projeto. O novo modelo mantém o mesmo conceito, mas foi praticamente redesenhado de raiz, tanto ao nível da estrutura como do sistema de navegação.

Grande parte dos componentes foi produzida em impressão 3D, recorrendo a nylon reforçado com fibra de carbono para reduzir o peso do dispositivo sem comprometer a resistência. O equipamento passou ainda a contar com braços dobráveis, tornando-o mais compacto e fácil de transportar.

Para que o guarda-chuva pudesse seguir o utilizador sem intervenção humana, Tse testou diferentes tecnologias de localização, incluindo sensores LiDAR, GPS e câmaras de profundidade. Depois de várias experiências, optou por uma câmara Time of Flight (ToF).

Ao contrário de uma câmara tradicional, que apenas regista imagens em duas dimensões, uma câmara ToF mede também a profundidade. Para isso emite infravermelhos e mede o tempo que essa luz demora a atingir os objetos e a regressar ao sensor. Com essa informação, cria um mapa tridimensional do espaço em tempo real, permitindo calcular com precisão a posição das pessoas e dos obstáculos.

Este tipo de câmaras é muito utilizado no sector da robótica e em sistemas de navegação autónoma. Neste caso, o sensor identifica continuamente a posição da cabeça do utilizador, informação que serve de referência para manter o dispositivo centrado durante o voo.

O cérebro do sistema

Toda a informação recolhida pela câmara é processada por um computador de placa única. O computador analisa, em tempo real, a posição do utilizador e envia instruções ao controlador de voo, que ajusta constantemente a potência das quatro hélices para manter o guarda-chuva centrado sobre a pessoa enquanto esta se desloca.

O desenvolvimento da segunda versão do projeto levou 358 dias e ficou marcado por inúmeros contratempos. Nos vídeos publicados no YouTube, John Tse mostra as várias tentativas falhadas, peças partidas, dificuldades em estabilizar o voo e sucessivos ajustes ao software responsável pelo rastreamento.

Apesar de ter limitações óbvias, que o próprio engenheiro reconhece, o resultado final foi positivo. O protótipo pode estar longe da estabilidade e da precisão exibidas no vídeo gerado por inteligência artificial, mas tem uma vantagem: é real.

Fonte: Público, 7 de julho de 2026

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