Engenheiro cria guarda-chuva voador que segue o utilizador
iCarly
(2007–2012) - Jennette McCurdy, Miranda Cosgrove, Andy Golbienko
Através
de um sistema de voo autónomo, câmaras de profundidade e uma estrutura
semelhante à de um drone, o protótipo consegue flutuar sobre a cabeça do
utilizador e segui-lo sem intervenção humana
Um engenheiro canadiano criou um guarda-chuva que voa
sozinho e segue autonomamente o utilizador. O projeto, desenvolvido por John
Tse, tornou-se viral nas redes sociais, mas não exatamente pelos motivos
esperados: grande parte da sua popularidade deve-se a um vídeo gerado por
inteligência artificial (IA), que mostra uma versão muito mais avançada e
eficiente do dispositivo.
Partilhado por várias contas, o vídeo já acumula dezenas de milhões de visualizações e milhares de comentários. Nas imagens, um guarda-chuva autónomo acompanha o utilizador de forma quase perfeita. A pessoa retratada é, aliás, uma versão gerada por IA do próprio inventor.
Apesar de o vídeo ser falso, a ideia é real. John Tse desenvolveu efetivamente um guarda-chuva voador e documentou todo o processo numa série de vídeos publicados no canal de YouTube I Build Stuff. O protótipo verdadeiro é visualmente semelhante ao que surge nas imagens geradas por IA, mas apresenta limitações: voa de forma menos estável e mantém uma distância maior da cabeça do utilizador.
A circulação do vídeo levou o próprio criador a alertar para
a desinformação. “Vídeos falsos do meu guarda-chuva voador estão a receber mais
de dez milhões de visualizações nos Reels e no X, por algum motivo mais do que
o vídeo real. Aqui estão as filmagens originais. Por favor, ajudem a partilhar
este reel para vencermos o AI slop”, escreveu no Instagram.
Da ideia ao primeiro protótipo
O primeiro protótipo ficou concluído em dezembro de 2023. Na
altura, John Tse apresentou o projeto com uma pergunta simples: “Estamos em
2024. Porque é que preciso de segurar num guarda-chuva quando posso criar um
que voa?”, escreveu na descrição do vídeo.
A primeira versão conseguia levantar voo e manter-se sobre o
utilizador graças a uma estrutura tipo drone de quatro hélices instalada sob a
cobertura do guarda-chuva. No entanto, dependia de um comando remoto e não era
capaz de acompanhar automaticamente os movimentos de quem o utilizava.
As críticas e sugestões deixadas nos comentários apontavam
precisamente essa limitação, o que levou o engenheiro a concentrar-se no
desenvolvimento de uma versão totalmente autónoma.
Guarda-chuva voador 2.0
Em janeiro deste ano, John Tse revelou a segunda versão
melhorada do projeto. O novo modelo mantém o mesmo conceito, mas foi
praticamente redesenhado de raiz, tanto ao nível da estrutura como do sistema
de navegação.
Grande parte dos componentes foi produzida em impressão 3D,
recorrendo a nylon reforçado com fibra de carbono para reduzir o peso do
dispositivo sem comprometer a resistência. O equipamento passou ainda a contar
com braços dobráveis, tornando-o mais compacto e fácil de transportar.
Para que o guarda-chuva pudesse seguir o utilizador sem
intervenção humana, Tse testou diferentes tecnologias de localização, incluindo
sensores LiDAR, GPS e câmaras de profundidade. Depois de várias experiências,
optou por uma câmara Time of Flight (ToF).
Ao contrário de uma câmara tradicional, que apenas regista
imagens em duas dimensões, uma câmara ToF mede também a profundidade. Para isso
emite infravermelhos e mede o tempo que essa luz demora a atingir os objetos e
a regressar ao sensor. Com essa informação, cria um mapa tridimensional do
espaço em tempo real, permitindo calcular com precisão a posição das pessoas e
dos obstáculos.
Este tipo de câmaras é muito utilizado no sector da robótica
e em sistemas de navegação autónoma. Neste caso, o sensor identifica
continuamente a posição da cabeça do utilizador, informação que serve de
referência para manter o dispositivo centrado durante o voo.
O cérebro do sistema
Toda a informação recolhida pela câmara é processada por um
computador de placa única. O computador analisa, em tempo real, a posição do
utilizador e envia instruções ao controlador de voo, que ajusta constantemente
a potência das quatro hélices para manter o guarda-chuva centrado sobre a
pessoa enquanto esta se desloca.
O desenvolvimento da segunda versão do projeto levou 358
dias e ficou marcado por inúmeros contratempos. Nos vídeos publicados no
YouTube, John Tse mostra as várias tentativas falhadas, peças partidas,
dificuldades em estabilizar o voo e sucessivos ajustes ao software responsável
pelo rastreamento.
Apesar de ter limitações óbvias, que o próprio engenheiro
reconhece, o resultado final foi positivo. O protótipo pode estar longe da
estabilidade e da precisão exibidas no vídeo gerado por inteligência
artificial, mas tem uma vantagem: é real.
Fonte: Público, 7 de julho de 2026

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