Espiral perigosa. Noruega quer Infantino investigado no caso Trump
Lise
Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol confirmou, esta
quinta-feira, que vai apresentar uma queixa no Comité de Ética da FIFA,
exigindo que o presidente da organização seja investigado no caso que envolve
Donald Trump
O Mundial2026 terminou no passado domingo, mas as críticas
dirigidas a Gianni Infantino não abrandam. Lise Klaveness, presidente da
Federação Norueguesa de Futebol, confirmou, esta quinta-feira, que vai
apresentar uma queixa no Comité de Ética da FIFA, exigindo que o presidente da
organização seja investigado no caso que envolve Donald Trump.
Na origem da iniciativa de Klaveness está a decisão da FIFA
em reverter o cartão vermelho mostrado a Folarin Balogun, permitindo que o
jogador dos Estados Unidos disputasse os oitavos de final do Campeonato do
Mundo, após Donald Trump ter telefonado diretamente
para Infantino para que a expulsão fosse reavaliada.
"Quando se contorna uma regra desta maneira, entra-se
numa espiral perigosa que coloca todo o futebol em risco. É preocupante para o
futebol quando se comprometem os princípios fundamentais do jogo", afirmou
a líder máxima da Federação Norueguesa, em entrevista ao The Times.
Lise Klaveness pede, assim, que Infantino reconheça que foi
um "erro" reverter o cartão vermelho e explique por que motivo a
decisão foi tomada apenas por uma pessoa, ao contrário do que acontece na
grande maioria dos casos.
"Antes de mais, isto nunca deveria ter acontecido.
Agora, é muito importante que haja uma comunicação honesta sobre o que se
passou. Todos sabemos que esta decisão foi influenciada por forças externas e
que não seguiu o processo adequado. Precisamos que o presidente da FIFA
reconheça que isto foi um erro", vincou, antes de concluir.
"Se começarmos a adaptar-nos desta forma aos líderes
políticos e aos interesses dos Estados, estaremos a alterar a nossa conduta, a
conduta da organização e também a linha que define até onde os líderes
políticos podem interferir. E foi isso que aconteceu", rematou Klaveness.
Por outro lado, a Federação Norueguesa de Futebol também
deseja anexar esta queixa àquela que já fora apresentada no passado mês de
junho, aquando da entrega do Prémio Paz da FIFA ao presidente dos EUA.
Afinal, o que aconteceu com Balogun?
Balogun foi expulso no jogo dos 16avos de final, contra a
Bósnia, depois do árbitro ser alertado pelo VAR para uma entrada perigosa sobre
um jogador adversário. No entanto, e contrariando o que acontece quando um
jogador vê um cartão vermelho - não pode jogar no jogo seguinte -, a FIFA
decidiu despenalizar o avançado dos EUA após um telefonema de Donald Trump a
Infantino.
"Pedi uma revisão porque não achei que fosse falta.
Limitei-me a pedir que o lance fosse revisto, não disse que tinham de tomar
esta ou aquela decisão. Não lhes posso dizer o que fazer", afirmou Trump.
O líder norte-americano acabaria, mais tarde, por
classificar a decisão da FIFA em anular o cartão vermelho, como
"brilhante", lançando ainda dúvidas em torno do árbitro que ajuizou a
partida.
Por sua vez, Infantino também confirmou ter sido contactado
por Trump, mas garantiu que a chamada do presidente dos EUA não teve qualquer
interferência no desfecho do processo.
"Os órgãos judiciais da FIFA são independentes e atuam
de forma autónoma. Aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com
base nos regulamentos em vigor e nos factos específicos de cada processo. A sua
independência é essencial para a credibilidade e a integridade do
futebol", defendeu Infantino.
Não faltaram, posteriormente, críticas à decisão de
despenalizar o jogador dos EUA e a UEFA chegou mesmo a apontar o dedo à FIFA,
dizendo que "foi ultrapassada uma linha vermelha".
O caso ganhou ainda maior dimensão depois de ter surgido a
informação de que Mohammad Al-Kamali, presidente do Comité Disciplinar da FIFA,
tomou a decisão sozinho, não fazendo qualquer diligência no sentido de debater
o caso com os restantes 17 membros do Comité.
De todo o modo, e apesar de ter sido utilizado, Balogun não
evitou a queda dos EUA nos oitavos de final, com a Bélgica a golear os
anfitriões por 4-1 e reservar um lugar na fase seguinte.
Fonte: Notícias ao Minuto, 23 de julho de 2026

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