Guiné-Bissau congela relações com Governo de Cabo Verde
Liderança guineense
Autoridades
de transição acusam Cabo Verde de ingerência nos assuntos internos da
Guiné-Bissau, após apelo à libertação de Domingos Simões Pereira
O Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou, esta
quarta-feira, o congelamento das relações com "o atual governo ideológico
de Cabo Verde", acusando-o de ingerência nos assuntos políticos e
judiciais guineenses.
"É de um descaramento sem precedentes que um governo
venha ditar regras à Justiça guineense",
afirmou o porta-voz do CNT, Fernando Vaz. "Exigimos que retirem, de uma
vez por todas, as vossas garras dos assuntos internos da Guiné-Bissau",
acrescentou.
A reação surge depois de o governo cabo-verdiano ter
apelado, na terça-feira, à "libertação célere" de Domingos Simões
Pereira. O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo
Verde (PAIGC) está a ser investigado pelo Tribunal Militar por alegada
participação numa tentativa de golpe de Estado, acusações que a defesa
considera politicamente motivadas.
Num comunicado divulgado pela imprensa guineense, o CNT
acusou ainda o Executivo da Praia de alinhar a sua política externa com
interesses europeus, referindo que a "união
secular" entre os povos guineense e cabo-verdiano "não será beliscada
por comunistas de meia tigela que venderam a soberania a potências europeias em
troca de relevância geopolítica barata".
Também a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
repudiou a detenção de Simões Pereira e apelou à sua libertação imediata e
incondicional.
Fonte: DW, 15 de julho de
2026

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