Juiz dos EUA condena Maduro a indemnização milionária a norte-americanos sequestrados
Um juiz federal norte-americano condenou o ex-presidente
venezuelano Nicolás Maduro e outros dirigentes chavistas a pagar 314 milhões de
dólares (cerca de 275 milhões de euros) a cidadãos norte-americanos que
intentaram uma ação judicial por sequestro, tortura e terrorismo.
Segundo informações hoje divulgadas, além de Maduro, detido
no início do ano pelos Estados Unidos numa operação especial em Caracas, o
Tribunal do Distrito Sul da Florida também responsabilizou os atuais ministros
do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e da Agricultura, Vladimir Padrino
(que até abril passado ocupava o cargo de ministro da Defesa), mas excluiu da
condenação a atual presidente interina, Delcy Rodríguez, e o seu irmão, Jorge
Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela.
Entre os queixosos que estiveram na origem desta ação
judicial contam-se Jerrel Kenemore, Jason Saad e Edgar Marval, que em 2023
fizeram parte de uma troca de prisioneiros durante o mandato do democrata Joe
Biden como Presidente dos Estados Unidos (2021-2025), que resultou na
libertação do ex-ministro venezuelano e empresário colombiano Alex Saab, apontado nos Estados Unidos como
‘testa-de-ferro’ de Maduro, e que entretanto voltou a ser detido, em maio passado, enfrentando, em
Miami, também na Florida, acusações de branqueamento de capitais.
Os mais de 10 queixosos, incluindo pessoas sequestradas na
Venezuela e dois menores, tinham apresentado a queixa em agosto de 2025, mas
reativaram-na em janeiro passado com uma nova moção após a deposição e captura
de Maduro, agora detido em Nova Iorque, onde enfrenta acusações de
narcoterrorismo.
A ação acusa os líderes do chavismo – movimento inspirado no
antigo Presidente Hugo Chávez - de violarem a
Lei Federal Antiterrorismo, a Lei
Antiterrorismo da Florida e a Lei das Organizações Corruptas e Influenciadas pelo Crime
Organizado.
No acórdão, o juiz argumentou que Maduro “tem,
historicamente, sequestrado e detido arbitrariamente cidadãos norte-americanos
para os trocar pela libertação de criminosos venezuelanos detidos nos Estados
Unidos” e considerou que o ex-governante “cometeu atos de terrorismo
internacional”, sendo que o “sequestro, a tortura e a detenção arbitrária” de
cidadãos norte-americanos “violaram as leis penais dos Estados Unidos e da
Florida”.
Este recurso civil decorre paralelamente ao processo penal
que Maduro enfrenta por tráfico de droga em Nova Iorque, onde também se
encontra detida a sua mulher, Cilia Flores.
Fonte: Lusa, 15 de julho de 2026

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