Manifestações, ataques e milhares a fugir. Que se passa na África do Sul?
A
África do Sul enfrenta uma nova vaga de violência xenófoba, marcada por
manifestações anti-imigração, ataques a estrangeiros e milhares de
repatriamentos. Os protestos, motivados por tensões em torno da imigração
ilegal, já levaram vários países africanos a retirar os seus cidadãos do
território
Milhares de pessoas saíram às ruas na África do Sul, na
passada terça-feira, em marchas convocadas por grupos anti-imigração, que deram esse dia como data limite aos indocumentados de
outros países africanos para abandonar o país. Desde então, têm-se
registado ataques e milhares de migrantes já foram repatriados.
Em causa está o facto de estas
organizações anti-imigrantes culparem os imigrantes dos muitos males que
assolam uma grande parte da população, como o desemprego em massa,
acima dos 32%, a criminalidade galopante, o tráfico de droga e os serviços de
saúde sobrecarregados.
As manifestações ocorreram em várias cidades com forte
presença policial. Além disso, na terça-feira, os estabelecimentos comerciais
permaneceram encerrados e os transportes públicos funcionaram de forma
condicionada.
Na manifestação em Durban, uma das maiores cidades da África
do Sul, foram exibidos cartazes onde se podia ler: "Parem de esconder os
estrangeiros ilegais. Parem de os empregar e de lhes arrendar casa".
Estas tensões já levaram as autoridades sul-africanas a
anunciar um reforço das medidas de combate à imigração clandestina e a alertar
a população contra qualquer tentativa de fazer justiça pelas próprias mãos.
Agressões e casas queimadas. Milhares de imigrantes já
regressaram aos seus países
Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas
casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na
África do Sul, revelou o governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência
e o repatriamento.
Na sexta-feira, o governo do Zimbabué anunciou que mais de 56 mil zimbabueanos residentes
na vizinha África do Sul regressaram ao seu país desde o final de maio,
devido à onda de violência xenófoba e aos protestos anti-imigração na África do
Sul.
No mesmo dia, cerca de 11 mil pessoas, maioritariamente oriundas do
Malawi e do Zimbabué, encontravam-se junto à cidade fronteiriça de Musina para
tratar das formalidades administrativas de saída do território.
Já este sábado mais 60 quenianos foram repatriados da África
do Sul por receio de agressões, que se juntam aos 151 que regressaram na
quinta-feira, adiantou o governo do Quénia.
Até ao momento, vários governos africanos, em particular os
da Nigéria, Malawi, Gana, Zimbabué e Moçambique, já organizaram operações de
repatriamento voluntário, recorrendo a aviões e autocarros para transportar os
seus cidadãos.
Esta não é a primeira vez que a África do Sul vive
momentos de tensão devido à imigração
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do
Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios
países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas
internacionais por xenofobia.
O pior surto de xenofobia alguma vez registado no país
ocorreu em 2008, quando mais de 60 pessoas
perderam a vida, enquanto os protestos mais graves deste tipo nos
últimos tempos aconteceram no final de 2019, com pelo menos 18 estrangeiros mortos.
Fonte: Notícias ao Minuto, 4 de julho de 2026

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