Ministério das Finanças barra jornalista do Eco após notícia sobre Certificados do Tesouro
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(2007–2012) - Jennette McCurdy, Miranda Cosgrove
Profissional
do jornal digital foi impedido de entrar num encontro informal no ministério.
Incidente ocorreu horas após o órgão ter revelado, em 1.ª mão, o lançamento de
Certificados do Tesouro
O ministério das Finanças barrou a entrada de um jornalista
do jornal de economia digital Eco num encontro informal (off the record)
na tarde de quinta-feira, para o qual tinha sido previamente convidado. O
incidente, avançado inicialmente pelo Expresso, ocorreu poucas horas
após a publicação antecipada de uma notícia sobre o lançamento de uma nova
série de Certificados do Tesouro.
O jornalista Luís Leitão apresentou-se no ministério das Finanças à hora
agendada para a reunião com o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, José
Maria Brandão de Brito, e o presidente do IGCP, Pedro Cabeços. No local, de
acordo com a reconstrução dos factos noticiada pelo semanário, o repórter terá sido travado à entrada por um militar da
GNR que cumpria ordens da assessoria do ministério.
Momentos depois, a assessora de imprensa da tutela terá
comunicado telefonicamente ao jornalista que o convite para o encontro tinha
sido retirado.
Na origem do desentendimento esteve um artigo assinado por
Luís Leitão e publicado pelo Eco nessa manhã de quinta-feira, que
revelava em primeira mão a aprovação da Série 5 dos Certificados do Tesouro
pelo Conselho de Ministros. Isto porque o ministério das Finanças planearia fazer uma divulgação
coordenada do novo produto de poupança com vários meios de comunicação social
apenas na sexta-feira, dia em que a medida seria publicada em Diário
da República.
ECO acusa tutela de "castigo" e anuncia boicote
Em reação ao sucedido, o diretor do Eco, António
Costa, publicou esta sexta-feira um editorial intitulado Uma notícia, um
'off the record' e um castigo, onde classifica a atitude do ministério das
Finanças como "censurável na substância e na forma" e uma
"humilhação pública".
No texto, o jornalista António Costa defende a legitimidade
da publicação do furo jornalístico,
explicando que o jornal tinha questionado formalmente o ministério sobre o tema
uma semana antes, sem obter qualquer esclarecimento. Perante a posse de informação consolidada e independente, a
redação optou por publicar a notícia antes da realização do encontro informal.
"O ministério das Finanças decidiu castigar um jornal e
um jornalista pela publicação de uma notícia em primeira mão", escreve o
diretor do Eco, sublinhando que, embora o governo tenha o direito de
escolher a quem concede entrevistas, "não pode castigar jornais e
jornalistas por notícias publicadas".
A direção do Eco anuncia ainda que o jornal deixará de participar em qualquer encontro
informal promovido pelo ministério das Finanças até que seja apresentado um
"pedido formal de desculpas de forma pública e notória".
Até ao momento, o ministério das Finanças, liderado por
Joaquim Miranda Sarmento, optou por não prestar quaisquer declarações ou
esclarecimentos adicionais sobre o sucedido.

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