Musk diz que poderá doar a sua fortuna após desafio de Nobel da Economia no X
Jacky Dejo, snowboarder, modelo e influenciadora digital
norte-americana
O economista Daron Acemoglu, vencedor do Prémio Nobel da
Economia, desafiou Elon Musk a doar toda a sua fortuna, estimada em cerca de 1
bilião de dólares (escala longa europeia), a instituições de solidariedade até
2036. A provocação foi publicada na rede social X (antigo Twitter), na
segunda-feira, dia 27, depois de o empresário ter afirmado anteriormente que,
com o avanço da inteligência artificial (IA), o dinheiro deixará de ter
importância no futuro.
A discussão ganhou destaque porque Musk, considerado o homem
mais rico do mundo, tem sido frequentemente alvo de críticas pelo reduzido
volume das suas doações, considerado modesto face ao património que acumulou.
Em dezembro de 2025, durante uma participação no podcast WTF, apresentado por
Nikhil Kamath, o empresário afirmou: «Concordo com o amor pela humanidade e acho que devemos
tentar fazer coisas que ajudem os nossos semelhantes. Mas é muito difícil.»
Desafio de Nobel reacende debate sobre filantropia
Na publicação feita no X, Acemoglu sugeriu que Musk
transformasse em atos a sua convicção de que o dinheiro perderá relevância no
futuro. «Uma oportunidade para provar que fala a sério. Se o dinheiro não tiver
importância em 2036, porque não se compromete a doar a sua fortuna atual, de
aproximadamente 1 bilião de dólares, a instituições de solidariedade até essa
data?», escreveu o economista. Segundo Acemoglu, esse compromisso ajudaria
também a reduzir as preocupações com a concentração de poder económico e
político nas mãos dos multimilionários.
O economista acrescentou que as organizações beneficiárias
deveriam ser escolhidas com base em critérios de eficácia e sem qualquer
enviesamento ideológico. Musk respondeu diretamente à publicação: «Na verdade,
vou fazer algo nessa linha!»
A mensagem foi interpretada como um sinal inédito por parte
do empresário, que historicamente tem evitado assumir compromissos públicos de
grande dimensão no domínio da filantropia.
A posição agora manifestada contrasta, contudo, com críticas
que Musk dirigiu a outros grandes filantropos. Em junho deste ano, concordou
com uma publicação no X que defendia que as doações da multimilionária
MacKenzie Scott, ex-mulher de Jeff Bezos, estariam «a tornar o mundo um lugar
pior». Scott já doou mais de 26 mil milhões de dólares a organizações sem fins
lucrativos, sendo considerada uma das maiores benfeitoras individuais da
História.
Embora a Fundação Musk gerisse cerca de 14 mil milhões de
dólares no final de 2025, documentos obtidos pelo The New York Times
revelam que uma parte significativa das doações recentes do empresário foi
canalizada para projetos relacionados com os seus próprios interesses.
Em 2024, por exemplo, cerca de 370 milhões de dólares foram
atribuídos a uma organização sem fins lucrativos no Texas, dirigida por um dos
seus principais assessores, responsável pela gestão de uma escola situada junto
de instalações pertencentes a empresas controladas por Musk.
A resposta ao desafio lançado por Acemoglu representa,
assim, uma mudança de tom, mas continua sem qualquer detalhe sobre os montantes
a doar, o calendário previsto ou as instituições que poderão vir a ser
beneficiadas.
Fonte: TecMundo, 29 de julho de 2026

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