Netanyahu quer desafiar Mamdani em NY: "Vou falar a verdade"
Logo depois das cerimónias fúnebres do senador republicano
Lindsey Graham, e horas após uma reunião que descreveu como “uma das melhores que já teve com o amigo Trump”,
Benjamin Netanyahu sentou-se com outro amigo, o apresentador da Fox News,
Sean Hannity — a quem o primeiro-ministro israelita elogia e diz ter
“envelhecido como um bom vinho”. Nesta entrevista, diz que a aliança de Israel
com os EUA é forte como “um muro de granito”;
mostra-se cético quanto a um acordo com o Irão, garantindo que o objetivo neste
conflito “vai ser atingido, seja por vias diplomáticas ou outras”; e confirma
que vai à Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, sem esconder o desejo de um
frente a frente com Zohran Mamdani.
Sobre as ameaças do autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani,
que afirmou várias vezes durante a campanha eleitoral que pretendia cumprir o
mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro,
na ocasião da próxima Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro — apesar
de recentemente ter reconhecido não ter autoridade para o fazer — Netanyahu diz
que não tem medo. “Primeiro de tudo, eu vou a Nova Iorque. Adoraria vê-lo
quando eu for para a (Assembleia Geral) ONU em setembro”, diz ao apresentador
Sean Hannity. “Vou falar a verdade diante
desse político eleito que espalha ódio”, disse então o
primeiro-ministro israelita. “Está a colocar um grupo de nova-iorquinos contra
o outro. Contra os judeus de Nova Iorque. Quer dizer, estamos na década de
1930? Tanto ódio. Tantas mentiras.”
Sobre o tema, Netanyahu repetiu as críticas feitas a Karim
Khan e ao TPI, afirmando que o mandado é “a grande mentira” e que o TPI é uma
“instituição corrupta”. Questionado sobre se pensa sobre os riscos quando está
em viagem, no caso de precisar de aterrar num país que reconhece o mandado do
TPI, Netanyahu assume: “Penso sobre isso. Tenho
forças especiais a cuidar disso”, afirma, sem entrar em detalhes. No
passado, registos de voo do primeiro-ministro israelita já revelaram que
Netanyahu costuma desviar e não sobrevoar países da Europa, que reconhecem a
autoridade do TPI.
A polémica com Mamdani foi abordada já no final da
entrevista, que se focou nas relações entre EUA e Israel. Depois de referir
Lindsey Graham como um “apoiante dos aliados de Israel porque acreditava que a
segurança de Israel e dos EUA estão alinhadas”, Netanyahu reafirmou a aliança
entre os dois países. “Se combinamos as nossas
forças, nada pode ficar no nosso caminho”, disse o primeiro-ministro
israelita, que se mostrou feliz com a reunião desta terça-feira na Casa Branca.
“Foi uma das melhores reuniões que já tivemos”, disse Netanyahu. “Não gosto de
desapontar os críticos que tentam encontrar ruturas na nossa aliança”,
assinala, afirmando que “o que acabam por encontrar, como é o caso de hoje, é
um muro de granito”.
Netanyahu reforça que EUA e Israel têm os mesmos objetivos.
“Não queremos ver este regime fanático do Irão a ter
armas nucleares, para ameaçar qualquer norte-americano, a paz
mundial, e a existência de Israel”, diz o primeiro-ministro, que acredita que
tal meta “será atingida”.
Contudo, assume-se “cético” em relação a um acordo com o
Irão, quando questionado sobre se acredita que “há grupos moderados que querem
o melhor para o Irão”. “A única forma de alcançar (um acordo) é o Irão
reconhecer estas várias fações”, assinala Netanyahu, que diz que há grupos no
país que “desvalorizam a força” de Israel e “jogam” com o presidente dos EUA.
“Acho que o presidente (Trump) está absolutamente ciente disso, e respeito-o
muito por isso”. Sobre a retoma de ataques recentes na região, Netanyahu é
direto: “Se somos atacados, responderemos com toda a força”.
Fonte: Observador, 29 de julho de 2026

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