Nota da Direção do DN sobre notícia publicada pelo Nascer do Sol
DN
desconhece qualquer "comunicado falso" e, dada a gravidade da
alegação, insta o Sol a divulgar o documento e a identificar quem o enviou e
quem o recebeu, para não ser considerada mera especulação
O semanário Nascer do Sol publicou este sábado uma
notícia intitulada "Falso comunicado da PJ tentou ilibar Luís Neves".
Nessa notícia, é feita referência a uma notícia do DN, do passado dia 17 de
julho, onde alegadamente teria sido divulgada informação proveniente de um
“comunicado falso” que alguém teria feito circular “nas redações” como sendo da
Polícia Judiciária (PJ). A alegação é grave e torna necessário o seguinte
esclarecimento:
1. A notícia do DN, intitulada “Luís Neves desagradado com
comunicado da PJ. Ministro vai alegar que entrega do atrelado está
documentada”, foi produzida com total cumprimento das regras deontológicas do
jornalismo. O DN reportou exclusivamente informação apurada junto de fontes
credíveis e verificadas, relativa à posição que o ministro da Administração
Interna, Luís Neves, pretende apresentar no chamado caso do atrelado.
2. O DN não recebeu, não consultou e não teve conhecimento
de qualquer “comunicado falso”. Perante a gravidade da alegação, o DN insta o Nascer
do Sol a divulgar esse documento e a identificar publicamente quem o terá
enviado, quem o terá recebido e que provas sustentam esta alegação, para não
ser considerada mera especulação sem fundamento.
3. Toda a cobertura do DN sobre o caso que envolve o
ministro da Administração Interna está disponível nesta página, permitindo a
qualquer leitor avaliar, de forma transparente, o nosso compromisso com a
isenção, a independência e o rigor que devem nortear o trabalho dos
jornalistas.
O Diário de Notícias reitera o seu compromisso de
procurar fazer jornalismo isento, rigoroso e responsável e rejeita
categoricamente qualquer alegação que coloque em causa a integridade do seu
trabalho.
Fonte: Diário de Notícias, de 26 julho de 2026
Luís Neves desagradado com comunicado da PJ. Ministro
vai alegar que entrega do atrelado está documentada
Ministro
da Administração Interna não reage publicamente, mas DN sabe que tem como ponto
assente que entrega de atrelado apreendido a João Santos Carvalho foi
documentada e não lesou o Estado
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, não vai
reagir publicamente ao comunicado da Polícia Judiciária, motivado pela notícia
do Nascer do Sol sobre um atrelado apreendido numa operação de combate
ao tráfico de droga que estava na posse do empreiteiro João Santos Carvalho,
que fez obras numa casa que Neves possui no concelho de Odemira, mas o DN sabe
que o seu conteúdo desagradou ao governante, até ao início do ano diretor
nacional dessa polícia de investigação.
Apesar de o comunicado divulgado nesta sexta-feira pela direção nacional da Polícia Judiciária dar conta de que as circunstâncias que rodearam a deslocação da galera - nome técnico dado a este tipo de atrelado para transporte de mercadorias - para Barcelos, nas instalações da empresa unipessoal de João Carvalho, estão a ser investigadas num inquérito interno, o que foi comunicado ao Ministério Público, é ponto assente para o ministro que a entidade que dirigiu entre 2018 e 2026 soube sempre onde se encontrava o atrelado, e em que circunstâncias foi parar à Construbarcelos, num processo devidamente documentado e em que em nenhum momento prejudicou os interesses da Polícia Judiciária e do Estado.
Apreendido no final de 2024, numa operação de combate ao
tráfico de drogas, o atrelado carregava material químico para a transformação
de estupefacientes. Nessa altura, devido ao risco que tais produtos
representam, e à escassez de espaço disponível nas instalações onde a Polícia
Judiciária deposita bens apreendidos, foi decidido solicitar espaço à Marinha,
que permitiu a sua colocação no Seixal.
No verão seguinte, depois de terem sido requeridos
orçamentos para a destruição dos químicos, tendo os valores apresentados sido
considerados acima da capacidade financeira da Polícia Judiciária, a Marinha
terá informado que não poderia manter a galera nas instalações da Autoridade
Marítima e requerido a sua retirada com carácter de urgência. Terá sido então
que, numa consulta a prestadores de serviços da entidade então liderada por
Luís Neves, o empreiteiro João Santos Carvalho, que se apresenta como amigo do
atual ministro e teve adjudicadas 17 empreitadas quando este dirigia a Polícia
Judiciária, ter-se-á oferecido para retirar o atrelado.
Ao que o DN apurou, o transporte para um terreno no distrito
de Braga, detido pelo empreiteiro, terá sido acompanhado por uma viatura do
núcleo de apreendidos da Polícia Judiciária, tendo todo o conteúdo do atrelado
sido inventariado e registado. Algo que fez com que Luís Neves tenha ficado
particularmente desagradado ao saber que a direção nacional da entidade que
liderou até ao início do ano, assumindo a pasta da Administração Interna que
fora deixada vaga pela demissão de Maria Lúcia Amaral, determinou a instauração
de um inquérito para apurar as circunstâncias da movimentação do atrelado, que
estava atracada a um camião da empresa Construbarcelos, admitindo-se que
"poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos".
Também a Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou
hoje, em resposta a questões colocadas pelo DN, que foi aberto um inquérito a
"bens apreendidos" no âmbito da Operação Pacoba. Esta foi uma
megaoperação da PJ que desmantelou uma unidade industrial de cocaína na região
Oeste. O atrelado em causa é um dos bens apreendidos.
Segundo o comunicado, divulgado nesta sexta-feira, após a
notícia do Nascer do Sol, foi na terça-feira passada, 14 de julho, que a
direção nacional da Polícia Judiciária "teve conhecimento de que uma
galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de
estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".
O atrelado foi removido do local, estando novamente à guarda
da Polícia Judiciária, tal como os produtos que estavam no seu interior. E que,
segundo o comunicado, "não têm natureza estupefaciente".
A permanência de Luís Neves no governo está a ser posta em
causa pela oposição, na sequência de uma investigação jornalística do Nascer
do Sol às suas ligações ao empreiteiro João Santos Carvalho, que fez obras
numa casa detida pelo antigo diretor nacional da Polícia Judiciária no concelho
de Odemira. Nesta quinta-feira, no debate sobre o Estado da Nação, Luís
Montenegro respondeu a André Ventura, líder do Chega, que mantém
"plenamente" confiança no seu ministro da Administração Interna.
Fonte: Diário de Notícias, 17 de julho de 2026

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