Passos defende Fernando Alexandre, mas atira a 'boys' do PSD
Irmãos Catita – É pra ganhar
Pedro Passos Coelho defendeu esta terça-feira o ministro da
Educação — em declarações ao Observador após a apresentação de um livro
na Escola Alemã, em Lisboa — ao fazer questão de dizer que tem “muita estima
pelo professor Fernando Alexandre” e ao destacar que o governante “é uma pessoa muito competente”. Apesar disso,
na apresentação do livro “Estratégia Empresarial”, o antigo
primeiro-ministro voltou a deixar críticas ao governo
por ter um “comportamento muito parecido com os anteriores” na forma como coloca “políticos na Administração
Pública”, numa alusão às nomeações de pessoas com ligações ao PSD para os
centros da Segurança Social e para administrações de hospitais.
Questionado sobre se queria referir algum caso concreto
dessas clientelas, Passos Coelho aproveitou para esclarecer que não o fará
porque ainda acabariam a interpretá-lo mal, como quando fizeram a leitura de
que chamou “prostituto” ao primeiro-ministro — o que nega. “A última vez que
falei, de uma forma geral, na Europa, sobre certas maneiras de lidar com o
populismo, acharam que eu tinha chamado uns nomes horríveis ao
primeiro-ministro”, lamentou.
Passos Coelho denuncia que “a maior parte destes concursos
da CReSAP são viciados” e, lamenta, “a gente não pode fazer nada”. Ainda assim,
insiste num sinal do governo para contrariar isso. Para o antigo governante, “quanto melhores forem os tecnocratas que estão a fazer a
máquina do Estado funcionar, melhor”: “Não têm de ser políticos, não
têm de ser escolhidos por patronage política. Eu adoraria que o atual governo
rompesse com essa tradição dos últimos anos.”
O antigo primeiro-ministro deixou ainda uma sugestão, com
ironia, que fez rir a sala: “Se acham que há políticos a mais, e que é preciso
criar mais uns lugares para eles na política, reformem essa parte da política,
arranjem mais uns lugares. O que se pagar a essa gente é dinheiro que se
poupa.”
Sobre a incapacidade do governo de reformar, Passos foi
desta vez mais suave — mas crítico. Lembrou que “este governo enunciou esse
objetivo e isso é muito importante porque nós só conseguimos corrigir o que
está mal quando reconhecemos o que está mal”. Reiterou, no entanto, as “observações”
anteriores em que considerou que “as coisas deviam andar um bocadinho mais
depressa”. Porém, acrescentou: “Estou a olhar de fora e, portanto, vejo as
coisas, se calhar, um bocadinho com mais impaciência.”
O antigo primeiro-ministro voltou a carregar nas tintas
quando disse que, por exemplo na reforma do Tribunal de Contas, “o Estado
pareceu estar mais preocupado consigo próprio do que com os outros”: “A reforma
é positiva, não pode é ser feita sem se aumentar a capacidade que existe de
escrutínio, de fiscalização. Porque senão é tudo mal. Mas não podemos acabar
com ele sem criar mecanismos de fiscalização”.
Falta de água em Almada: “Não há planeamento”
Pedro Passos Coelho criticou ainda a falta de água em
Almada, dizendo que “se não há água é porque alguma coisa falhou” e que não
serve de desculpa dizerem que “o consumo é o dobro da média do país”, uma vez
que isso não aconteceu na semana passada. Para o antigo governante, tal
aconteceu porque “não há planeamento, não há o mínimo de intervenção estrutural
sobre o problema.”
Sobre o peso do Estado, Passos lamentou a inexistência de
flexibilidade, definindo o Estado como “um paquiderme que se mexe muito
devagarinho” e que, apesar de o diagnóstico estar feito, insiste-se em
continuar a “não tomar as decisões estratégicas que são importantes”. E voltou
a visar o governo de Montenegro: “Não se faz ou porque não há condições
políticas para o fazer, ou porque, politicamente, enfim, há outras prioridades.
E enquanto existirem outras prioridades e outras condições menos favoráveis,
nós continuaremos a padecer dos mesmos problemas.”
Fonte: Observador, 14 de julho de 2026

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