Quem não arrisca não petisca. Apresentado o Amália, modelo de IA totalmente em português
Bridget Williams, modelo, influenciadora digital, praticante
de skate e surf vivendo em Melbourne
Um ano e meio depois de ter sido anunciado, foi esta tarde
apresentado o novo modelo de Inteligência
Artificial totalmente em português. Chama-se Amália. A cerimónia de
apresentação decorreu em Lisboa com a presença do primeiro-ministro e também do
ministro Adjunto e da Reforma do Estado e do ministro da Educação.
O Amália ainda está em testes e vai ser disponibilizado a
várias entidades da Administração Pública, mas até ao fim do ano deverá estar
ao alcance de todos.
Montenegro diz que mais vale tentar e falhar do que
adiar
Na apresentação do Amália, o primeiro-ministro elogiou a cultura
do risco, defendendo que mais vale tentar e falhar do que adiar soluções, porque "quem não arrisca
não petisca".
Luís Montenegro aproveitou ainda a ocasião para elogiar o papel transversal do ministro Adjunto Gonçalo Matias no governo, assegurando que, no executivo, estão "todos a remar para o mesmo lado".
Perante uma plateia composta sobretudo por investigadores
envolvidos no desenvolvimento do Amália, Montenegro deixou uma mensagem que
pode ser entendida como de carácter mais geral: "Temos a obrigação de não
perder mais tempo. Discutir menos e fazer mais. Discutir o suficiente, mas
fazer. Foi isso que nós fizemos aqui. Não nos quisemos perder em discussões que
são legítimas, mas que iriam basicamente atrasar tudo".
O primeiro-ministro defendeu que a cultura do risco
"deve ser entendida dentro de um sentido de responsabilidade, mas também
de ambição, de esperança, de confiança".
"É mesmo caso para dizer que quem não arrisca não
petisca. Quem fica a aguardar grandes reflexões e grandes consensualizações
fica para trás", avisou.
Montenegro defendeu que "é mais importante tentar do
que adiar, é preciso tentar e eventualmente falhar", justificando a razão
pela qual, em novembro de 2024, aceitou o desafio de ter, num ano e meio, um
modelo português de IA.
O primeiro-ministro admitiu que Portugal não poderá competir,
nesta matéria, com outros países que já começaram a investir há mais tempo, mas
salientou a importância da autonomia estratégica da Europa em matéria de IA.
"Eu sei que é um pequeno passo, mas são pequenos passos
que estão a ser dados na Alemanha, na Suíça, na Polónia, nos Países Baixos, em
Espanha", disse, desejando que um modelo europeu possa, no futuro,
competir com os líderes neste domínio, Estados Unidos e da China.
Amália não nasceu para ficar no laboratório
Manuel Dias, o CTO (diretor de sistemas de informação) do
Estado e presidente da ARTE, sublinha também ele que o Amália não nasceu para
ficar no laboratório.
O Amália "foi o primeiro modelo de grande escala focado
em português europeu", salientou.
"Criado em Portugal" e "com talento
nacional", o Amália tem quatro pilares
estratégicos: "a promoção da língua, da cultura, da história
portuguesa como mais nenhum modelo faz, a promoção da investigação e da
inovação em inteligência artificial [IA] em Portugal, numa era em que a
inteligência artificial faz parte das nossas vidas", prosseguiu.
Este é "também o tema da soberania digital", (...)
é muito relevante não só termos o controlo sobre os nossos dados, mas ter o
controlo sobre os modelos que processam os nossos dados", referiu Manuel
Dias.
Como funciona o Amália
Primeiro, "é um modelo treinado com foco em português
europeu. Isso é muito, muito importante para português europeu, teve como base
o EuroLLM e, portanto, até entende outras línguas na Europa, mas está focado e
otimizado para português europeu", explicou.
Depois, é "um modelo com 9 mil milhões de parâmetros, é
um modelo multimodal e este é um ponto muito importante", destacou.
O Amália "nasceu como um modelo que consegue analisar,
perceber e gerar texto, mas na versão atual consegue analisar imagem, consegue
entender falar e, portanto, imaginem a quantidade de cenários que nós podemos
criar".
Este é um modelo que "tem um filtro de segurança e essa
parte é muito importante quando falamos da criação de aplicações de
inteligência artificial", salientou.
Portanto, "já tem essa parte também no treino e
obviamente é um modelo que resulta de quase dois anos de trabalho de muitos
investigadores, mais de 60 investigadores, cinco universidades
portuguesas", ou seja, "muito talento nacional feito no
desenvolvimento do Amália".
Mas "o Amália não nasceu para ficar no
laboratório", salientou. O modelo de IA está "preparado para ser
usado por todo o ecossistema nacional, não só pela academia, pelas
universidades, pelos serviços públicos, pelas múltiplas entidades da
Administração Pública e, sobretudo, também pelos cidadãos".
Trata-se de um modelo totalmente em código aberto, "o
que significa que qualquer empresa, qualquer startup, pode pegar no modelo,
adaptá-lo, customizá-lo para determinado domínio".
Nesse sentido, "isso é mais um diferenciador na forma
como foi feito o desenvolvimento do Amália", rematou.
Fonte: RTP, 1 de julho de 2026
Nem vale a pena apostar que o Amália não irá nem aquém nem além da Taprobana. Mais de 60 “investigadores” ocuparam tempo de vida produzindo nada. O tempo e o nada.

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