Renunciou à cidadania ucraniana antes de ser nomeado um dos mais ricos do país: explosão suspeita no Mónaco fere gravemente oligarca e família

 

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Uma explosão provocada por um engenho colocado num pacote feriu gravemente um oligarca ucraniano e a sua família na noite de segunda-feira, no Mónaco, num incidente que está a levantar dúvidas quanto à sua origem.

O ataque ocorreu por volta das 21:00 locais (20:00 de Lisboa), num edifício residencial situado numa rua junto à fronteira com França, causando ferimentos num casal e no filho de 13 anos.

Horas depois do sucedido, as autoridades locais avançaram que um suspeito teria deixado um pacote no átrio do prédio antes de fugir do local, sendo visto mais tarde a abandonar a zona em direção à região francesa de Beausoleil.

O engenho explosivo continha pregos e chumbo, segundo informações oficiais, e causou uma forte explosão que levou à mobilização de cerca de 50 bombeiros e 80 elementos de segurança. Outras quatro pessoas foram assistidas devido a choque e cortes provocados pelos estilhaços, segundo o The Guardian.

O casal, com idades entre os 50 e os 60 anos, encontra-se em estado crítico, com prognóstico reservado. O adolescente sofreu ferimentos ligeiros e encontra-se estável.

O empresário ucraniano Vadym Yermolaiev, de 58 anos, multimilionário ucraniano residente no Mónaco foi identificado como uma das vítimas-

Em resposta ao ataque, o príncipe Alberto II classificou o episódio como um “crime hediondo”, considerando-o um choque para toda a comunidade monegasca. Já as autoridades francesas indicaram que está em curso uma operação para localizar o autor, que se encontra em fuga.

23.º homem mais rico da Ucrânia

Empresário e dono de um império com interesses no setor imobiliário, industrial e vitivinícola, Yermolaiev é frequentemente referido como uma figura influente na economia da Ucrânia pós-soviética.

Nascido em Dnipro, antiga Dnipropetrovsk, formou-se em economia e prestou serviço no exército soviético antes de fundar, em meados da década de 1990, o Grupo Alef, segundo um perfil do Le Parisien.

O conglomerado expandiu-se para áreas como imobiliário, agricultura, materiais de construção, indústria médica e equipamentos industriais. O empresário é apontado por vários meios de comunicação e pela revista Forbes como uma das figuras responsáveis pela transformação urbana da sua cidade natal, destacando-se projetos como o centro comercial Most-City e o Boulevard Katerynoslavsky.

Em 2022, a Forbes colocava-o no 23.º lugar entre os empresários mais ricos da Ucrânia. Ao longo dos anos, a sua fortuna atingiu várias centenas de milhões de dólares.

A renuncia à cidadania ucraniana e as sanções da Ucrânia

Em 2019, tomou uma decisão importante: renunciou à cidadania ucraniana para adquirir a cidadania cipriota, decisão que gerou debate no seu país de origem. Antes disso, em 2014, após a anexação da Crimeia pela Rússia, afirmou ter perdido todos os seus bens localizados na península.

A sua trajetória empresarial é também marcada por controvérsia e polémica, com críticas relacionadas com a natureza das suas atividades e investimentos internacionais. O seu percurso inclui ainda participação em projetos financeiros e empresariais fora da Ucrânia.

Anos depois de ter renunciado à cidadania, o Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia impôs, em dezembro de 2023, sanções a Vadym Yermolaiev.

Segundo vários meios de comunicação ucranianos, a decisão terá sido motivada por suspeitas relacionadas com atividades comerciais, nomeadamente a continuidade de negócios ligados à venda de bebidas alcoólicas na Crimeia sob ocupação russa.

O empresário contestou as medidas e rejeitou qualquer irregularidade. Paralelamente, foi também referido em investigações e reportagens internacionais relacionadas com atividades financeiras e bancárias, incluindo o caso do Versobank, um banco da Estónia cuja licença foi suspensa pelo Banco Central Europeu em 2018.

Fonte: CNN Portugal, 30 de junho de 2026

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