Startup ligada ao filho de Trump está a desenvolver robôs de combate para a guerra
Com o apoio de Eric Trump, filho do presidente
norte-americano Donald Trump, uma startup pretende desenvolver uma série de
robôs humanoides destinados a operações militares. Numa entrevista à Wired,
a Foundation Future Industries explicou como imagina estas máquinas com
capacidades letais.
Criada em 2024 e liderada pelo diretor executivo (CEO)
Sankaet Pathak, a Foundation tem um objetivo relativamente simples: substituir
soldados humanos em missões de elevadíssimo risco. Isto significa que tarefas
mais complexas e perigosas, como operações logísticas, missões de
reconhecimento e até o próprio combate armado, passem a ser executadas por
robôs.
Por outras palavras, Pathak pretende colocar armas de fogo nas mãos das máquinas que a empresa desenvolve. Segundo a Foundation, o seu principal modelo, o Phantom MK1, já foi submetido a testes logísticos em colaboração com as forças ucranianas, pelo que o projeto entrou agora na fase de ensaios em ambiente operacional.
Pathak não revelou muitos pormenores sobre o MK1 nem sobre
outros modelos, limitando-se a dizer que a empresa está a «explorar algumas
possibilidades» e que divulgará mais informações nos próximos meses. Em teoria,
estes robôs poderão ser utilizados como primeira linha de ataque ao entrar em
ambientes hostis ou desconhecidos, permitindo que as tropas humanas avancem
apenas depois.
A ligação a Trump
O que mais chama a atenção neste projeto da Foundation
Future Industries é a estreita relação da empresa com Eric Trump. Filho de
Donald Trump, Eric atua como investidor e também como uma espécie de porta-voz
da startup, referindo frequentemente a Foundation em entrevistas televisivas.
Numa intervenção no canal Fox Business, em abril,
Eric afirmou que estes robôs conseguem cumprimentar os utilizadores e obedecer
às suas instruções. «Quando introduzirmos a autonomia proporcionada pela
inteligência artificial, isso transformará a indústria, as aplicações militares
e a hotelaria. As possibilidades de utilização são ilimitadas, e acho isso
verdadeiramente extraordinário», afirmou.
Apesar de ser uma empresa recente, a Foundation já
conquistou algum prestígio, tendo contratos ativos com o Pentágono.
Tecnicamente, segundo a reportagem da Wired, esses contratos pertencem à
Boardwalk Robotics — empresa entretanto adquirida pela Foundation — e ao
Institute for Human and Machine Cognition (IHMC).
O diretor executivo da startup rejeita os cenários
apocalípticos segundo os quais armar robôs poderá conduzir a situações
semelhantes às retratadas na ficção científica. «Do meu ponto de vista, todos
esses cenários apocalípticos para os humanoides são extremamente exagerados»,
afirmou Pathak, demonstrando pouca preocupação com esse tipo de críticas.
Apesar do entusiasmo e das fortes ligações políticas, a era
dos robôs de combate totalmente autónomos ainda parece estar relativamente
distante. Persistem desafios técnicos importantes ao nível do hardware e do
software, da autonomia das baterias, da mobilidade em terrenos acidentados e de
toda a engenharia necessária para operar armas de fogo, problemas cuja
resolução poderá exigir muitos anos, ou mesmo décadas, de desenvolvimento.
A propósito de robôs, a empresa chinesa Unitree apresentou
recentemente um dispositivo de locomoção bípede descrito como um «mecha
transformável».

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