Testemunha revela terapia de “confrontação extrema" que colocou pai e filho perante um precipício antes da morte do fundador da Mango
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Uma
testemunha revelou novos detalhes sobre a terapia familiar seguida por Isak
Andic, fundador da Mango, e pelo filho Jonathan antes da morte do empresário em
Montserrat, nos arredores de Barcelona. Segundo o depoimento prestado aos
investigadores, o método incluía uma situação
extrema junto a um precipício, criada para promover um confronto entre pai e
filho
A investigação à morte de Isak Andic, fundador da Mango,
ganhou novos elementos após o depoimento de uma testemunha que descreveu a
terapia familiar seguida pelo empresário e pelo filho mais velho, Jonathan
Andic, antes da queda mortal em Montserrat, nos arredores de Barcelona, em
dezembro de 2024. A mulher, uma intérprete britânica que colaborava
ocasionalmente com a terapeuta Julia Lüderwaldt,
contou aos Mossos d’Esquadra que foi envolvida na preparação de uma atividade
de montanha destinada a criar uma situação de confronto entre pai e filho.
Segundo o seu relato, noticiado pela imprensa espanhola, a
terapeuta pediu-lhe que encontrasse um percurso adequado para uma experiência
considerada extrema. A testemunha indicou o Camí de les Feixades, em
Montserrat, o mesmo local onde Isak Andic acabaria por morrer dias depois
durante uma caminhada com Jonathan.
Terapia previa confronto entre pai e filho junto a um
precipício
A intérprete afirmou que acompanhou Jonathan Andic ao
percurso no dia 7 de dezembro de 2024, uma semana antes da morte do empresário.
A deslocação já era conhecida pelos investigadores, que tinham identificado
várias idas do filho de Isak Andic à zona antes da tragédia.
De acordo com o depoimento, o objetivo da terapeuta era
colocar pai e filho perante uma situação-limite para trabalhar os conflitos
existentes na relação familiar. A experiência fazia parte de um método descrito
como “confrontação extrema”. A testemunha referiu que a situação prevista
incluía a proximidade de um precipício, num cenário de maior impacto emocional
para Jonathan Andic, segundo a interpretação atribuída ao método utilizado pela
terapeuta.
Defesa de Jonathan Andic rejeita suspeitas sobre a morte do
pai
A defesa de Jonathan Andic, que foi libertado mediante
fiança em maio deste ano, sustenta que as deslocações anteriores a Montserrat
serviram apenas para preparar a caminhada com o pai e rejeita qualquer
interpretação de que existisse uma intenção criminosa. Jonathan Andic mantém
que a morte do pai resultou de uma queda acidental durante o percurso.
Isak Andic morreu a 14 de dezembro de 2024, após cair numa
zona de grande desnível da montanha de Montserrat. A investigação procura
determinar se a morte do fundador da Mango foi um acidente ou se existiu
intervenção de terceiros.
Método da terapeuta está sob análise judicial
O método utilizado por Julia Lüderwaldt passou a ser
analisado no âmbito do processo. A terapeuta não está inscrita nos colégios
profissionais espanhóis de psicólogos ou psiquiatras, segundo informações
divulgadas no processo. Entre as técnicas atribuídas ao seu trabalho está o
chamado método das “sete cronologias”,
que dividiria a vida de uma pessoa em etapas diferentes. Especialistas
consultados afirmaram não reconhecer esta abordagem como uma técnica
terapêutica com validação científica.
Especialistas alertam para riscos de terapias sem validação
científica
Profissionais de saúde mental alertaram para os riscos de
intervenções psicológicas realizadas sem formação adequada ou sem métodos
comprovados, escreve o jornal espanhol El Pais. Segundo especialistas,
técnicas de confronto podem causar efeitos negativos quando são aplicadas sem
critérios clínicos, podendo aumentar conflitos familiares, criar dependência em
relação ao terapeuta ou expor pessoas vulneráveis a situações inadequadas.
Fonte: Expresso, 25 de julho de 2026
Filho do fundador da Mango afasta-se temporariamente da
empresa
A
administração da empresa manifestou apoio a Jonathan Andic, suspeito da morte
do pai, que decidiu abandonar temporariamente o cargo de vice-presidente para
se concentrar na defesa da sua inocência
Jonathan Andic vai suspender temporariamente as suas funções
na Mango, uma decisão comunicada pelo próprio. Numa carta aberta dirigida aos
colaboradores, escreveu que, apesar de manter as suas responsabilidades nos
“projetos familiares, empresariais e sociais”, vai afastar-se da
vice-presidência da empresa para se concentrar em defender a sua inocência. O
anúncio surge numa altura em que o nome do filho do fundador da marca espanhola
de moda está envolvido numa investigação judicial relacionada com a morte de
Isak Andic.
Numa comunicação interna enviada aos trabalhadores, o
presidente executivo da empresa, Toni Ruiz, manifestou “o maior respeito,
compreensão e apoio” a Jonathan Andic, sublinhando simultaneamente a solidez do
grupo catalão. “A empresa atravessa o momento mais forte da sua história”,
escreveu Ruiz, acrescentando que a Mango conta
com “uma estratégia clara, diferenciada e alinhada com os mais elevados padrões
de governação corporativa”.
O responsável destacou ainda que a multinacional da moda emprega mais de 18 mil pessoas e
está presente em mais de 120 países, defendendo que o crescimento
sustentado da empresa resulta “do compromisso, profissionalismo e dedicação”
das equipas.
Também o conselho de administração da Mango declarou apoio
unânime a Jonathan Andic e à família Andic, manifestando confiança de que os
processos judiciais "serão resolvidos favoravelmente e o mais rapidamente
possível".
O caso ganhou dimensão mediática em Espanha depois de
Jonathan Andic ter sido detido pelas autoridades catalãs no âmbito da
investigação à morte do pai, Isak Andic, ocorrida após uma queda durante uma
caminhada. Segundo a imprensa espanhola, as autoridades procuram esclarecer as
circunstâncias do acidente e determinar se existiu intervenção de terceiros.
A morte de Isak Andic abalou o universo empresarial
espanhol. Fundador da Mango em 1984, o empresário transformou a marca numa das
maiores cadeias de moda europeias, rivalizando internacionalmente com grupos
como a Inditex, dona da Zara.
Nos últimos dias, o caso evoluiu de tragédia familiar para
um tema judicial e empresarial, levantando questões sobre o impacto
reputacional na retalhista catalã. Ainda assim, a administração da empresa
procura transmitir uma mensagem de estabilidade interna e continuidade
estratégica, insistindo que a operação global da Mango permanece inalterada.
Fonte: Expresso, 26 de maio de 2026

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