Trump despede procurador 54 minutos depois de tomar posse


54 minutos. Foi esta a duração do mandato de Roger Rogoff como procurador-geral de Seattle. A polémica aconteceu na passada quarta-feira: antes das 8h da manhã, Rogoff tomou posse no cargo mais alto do Departamento de Justiça na cidade, e dirigiu-se depois para uma reunião com o procurador-geral do estado de Washington, no seu gabinete. Foi aí, ainda na sala de espera, que recebeu um email da administração Trump, em que foi informado da sua demissão, relatou ao jornal The Guardian.

O nome de Rogoff foi escolhido de forma unânime por um painel de juízes federais, no ativo e jubilados, do distrito ocidental de Washington. O grupo era composto por 17 magistrados, dez dos quais foram nomeados por presidentes democratas e sete por presidentes republicanos, detalha o New York Times. Normalmente, o cargo de procurador também é nomeado pela administração federal. Contudo, em casos em que o cargo é ocupado de forma temporária e esse mandato temporário chega ao fim sem uma nova nomeação, os juízes do distrito federal em questão podem nomear eles mesmos um novo procurador.

Foi o que aconteceu neste caso. A busca por um sucessor começou em janeiro e, durante o processo, os candidatos terão sido questionados sobre o que fariam se fossem despedidos. “Eu consideraria se havia opções legais para questionar a decisão”, respondeu Rogoff à data, perante o painel. O antigo procurador federal e juiz distrital já confirmou que contactou outros advogados sobre a possibilidade de processar a administração federal pelo seu despedimento.

O caso de Rogoff é apenas mais um numa longa lista de braços de ferro entre a administração Trump e a justiça. Ao contrário de outras nomeações, o presidente nunca se tinha pronunciado sobre o lugar vago na procuradoria de Seattle. O procurador-geral interino, Todd Blanche, defendeu a ação do Departamento de Justiça, acusando o painel de juízes de ter “abandonado o processo consagrado de consulta com a administração, para que o procurador selecionado estivesse qualificado para exercer funções”.

Em declarações ao New York Times, Rogoff defendeu que o seu plano para o cargo era “executar as prioridades da administração”. Questionado sobre as prioridades de Donald Trump relativamente à imigração e ao combate ao tráfico humano e de droga, o magistrado classificou-as como “bastante normais”. No entanto, Rogoff também criticou a utilização por parte da administração federal de nomeações diretas em detrimento da aprovação dos candidatos ao Ministério Público no Senado.

Fonte: Observador, 16 de julho de 2026

Trump destitui novo procurador federal de Seattle uma hora após nomeação

O procurador-geral interino, Todd Blanche, anunciou a destituição de Roger Rogoff numa mensagem publicada na plataforma LinkedIn, acusando os juízes de não consultarem o governo

O presidente norte-americano, Donald Trump, destituiu na quarta-feira o novo procurador federal de Seattle, Roger Rogoff, apenas uma hora após os juízes federais da região o terem nomeado por unanimidade.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, anunciou a destituição de Rogoff numa mensagem publicada na plataforma LinkedIn, acusando os juízes de não consultarem o governo.

"Os juízes dos tribunais distritais podem nomear um procurador-geral interino dos EUA, e o presidente pode destituí-lo. Os juízes do Distrito Oeste de Washington ignoraram o processo tradicional de consulta com o governo", escreveu Blanche.

Rogoff, que foi informado sobre a demissão por e-mail, está a consultar advogados sobre a possibilidade de processar o governo.

A senadora democrata Patty Murray, do estado de Washington, manifestou a sua oposição à demissão, afirmando que Rogoff "é altamente qualificado" e que "ao longo da carreira demonstrou um compromisso excecional com o serviço público e foi legalmente nomeado pelos juízes federais do Distrito Oeste de Washington".

"Esta administração não quer seguir os procedimentos adequados. Simplesmente quer colocar os seus apadrinhados em posições para levar adiante uma agenda política corrupta", disse Murray em comunicado.

A destituição de Rogoff marca um novo ponto de tensão nas relações entre os poderes judicial e executivo nos Estados Unidos.

Fonte: Diário de Notícias, 16 de julho de 2026

Uma situação que é conhecida na gíria democrática liberal como separação de poderes. E também a América não é uma teocracia, o Irão é que é. 

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