Trump. Técnico de teleponto aposta em discursos e é suspenso
“Estar aqui em cima é sempre um grande risco, especialmente
para mim, porque fujo ao teleponto 80% das vezes”. Donald Trump falava assim do
topo do púlpito, reconhecendo em tom humorístico
a sua tendência para discursos erráticos, que misturam vários temas.
Mas o “risco” associado a um discurso do presidente dos Estados Unidos também é
sentido por todos aqueles que o utilizam como forma de apostar em plataformas
online. Foi numa dessas plataformas, a Kalshi, que o operador de teleponto de
Trump terá ganhado mais de 100 mil dólares.
A notícia foi avançada esta quinta-feira pela ABC News,
que detalhava que Gabriel Perez, um assistente técnico do presidente
responsável por operar o teleponto durante os seus discursos, tinha sido
entrevistado por investigadores federais da Comissão de Negociação de Futuros
de Mercadorias (CFTC), citando pessoas com conhecimento da investigação.
Na sequência da notícia, a porta-voz da Casa Branca anunciou
que Perez tinha sido suspenso com uma licença sem vencimento. “A Casa Branca
tem diretrizes éticas extremamente rigorosas no que diz respeito a questões
como esta”, afirmou Karoline Leavitt, que relatou ter conversado com Trump
sobre o incidente, tendo-o descrito como “uma desgraça”.
Perez terá utilizado o seu conhecimento de antemão dos
discursos de Trump para apostar na secção de “menções” da plataforma, onde os utilizadores podem apostar nas palavras ou temas
que o presidente irá mencionar numa dada intervenção. Num período de
três meses, o operador terá apostado em mais de uma dezena de discursos do presidente,
incluindo o Estado da Nação, o discurso no Fórum Económico de Davos e um
discurso de Natal em dezembro.
O alerta foi dado pela própria plataforma, que detetou
atividades suspeitas na secção de “menções” e “rapidamente investigou e
informou a CFTC destas apostas”, escreveu um dos advogados da Kalshi, Bobby
DeNault, nas redes sociais. “Temos estado a prestar assistência às entidades
reguladoras nesta matéria e fornecemos todas as provas que recolhemos”,
acrescentou.
Gabriel Perez operava o teleponto de Donald Trump desde 2016, sendo a última
pessoa a rever os discursos do presidente antes de este subir ao púlpito. Ao
longo dos últimos dez anos, esse trabalho já o tinha colocado debaixo dos
holofotes: em 2021 foi investigado pelo Congresso e pelas autoridades federais
por edições que terá feito no controverso discurso de Donald Trump no dia 6 de
janeiro de 2021, dia em que o Capitólio foi atacado.
Fonte: Observador, 16 de julho de 2026

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