União Europeia vive “Super Terça-feira” histórica do alargamento
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Montenegro,
Albânia, Moldávia e Ucrânia, os países que lideram o processo de adesão, deram
passos importantes nas negociações. Algo que, segundo Marta Kos, não acontecia
há mais de 20 anos
A União Europeia deu esta terça-feira, 14 de julho, início
ao seu movimento mais significativo de alargamento em mais de duas décadas, com
a comissária Marta Kos a classificar este dia como uma “Super Terça-feira” para
a agenda de expansão do bloco, numa referência ao nome dado nos Estados Unidos
à terça-feira em que o maior número de estados realiza primárias para as
presidenciais. “Todos os quatro países que lideram o processo de adesão a dar
passos importantes no mesmo dia”, disse Kos, que tem a pasta do alargamento, ao
Politico. “É por isso que lhe estamos a chamar ‘Super Terça-feira’. É preciso
recuar mais de 20 anos no tempo para encontrar um momento em que tantas
[cerimónias de agrupamento de capítulos] tenham sido realizadas no mesmo dia.”
Um dos destaques vai para a
Ucrânia e a Moldávia, que deram esta terça-feira início à segunda
etapa das suas negociações de adesão, abrindo agora negociações sobre relações
externas, que abrangem o comércio e as políticas internacionais, bem como a
política externa, de segurança e defesa. “A futura arquitetura de segurança do
nosso continente é inimaginável sem a Ucrânia”, disse Kos. Para a eslovena, a Ucrânia é uma “potência militar
com capacidades que poucas outras nações conseguem igualar”,
defendendo que a adesão de Kiev ajudaria a reforçar a segurança da Europa e a
reduzir as dependências estratégicas do bloco.
Este novo passo de Kiev em direção a Bruxelas ocorre apenas
um mês após a abertura formal das negociações da Ucrânia (e da Moldávia), só
possível depois da mudança de governo na Hungria, com o novo primeiro-ministro
Péter Magyar a levantar o veto de Budapeste. “Isto demonstra o empenho do país
[Ucrânia] em avançar o mais rapidamente possível. Nestes tempos desafiantes, o alargamento representa um investimento estratégico na
paz, na segurança, na estabilidade e na prosperidade, tanto para
a UE como para a Ucrânia”, disse, por seu turno, Thomas Byrne, ministro de
Estado dos Assuntos Europeus e da Defesa da Irlanda, país que ocupa este
semestre a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.
Já o vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração
Europeia, Taras Kachka, disse esta terça-feira que “o processo de adesão da
Ucrânia está a decorrer sem interrupções”, sublinhando que Kiev “não vê grandes
obstáculos ao processo de adesão”.
A Comissão Europeia confirmou esta terça-feira que Ursula
von der Leyen estará hoje em Kiev, dia em que a Ucrânia celebra o seu Dia de
Elevação a Estado, um feriado oficializado por Volodymyr Zelensky em 2021 e
celebrado pela primeira vez no ano seguinte, já depois na invasão russa.
Bruxelas não adiantou o motivo da visita, mas, segundo a televisão polaca TVP
World, o executivo comunitário está a
preparar um pacote de apoio combinado para a Ucrânia no valor de até 18 mil
milhões de euros, devendo ser feitos anúncios sobre este tema
durante a visita de von der Leyen.
Mais de metade do caminho
O Montenegro, apontado como o país mais avançado no processo
de adesão e que deve tornar-se o 28.º da UE em 2028, teve esta terça-feira
curiosamente a sua 28.ª reunião da Conferência de Adesão com a UE, tendo
encerrado as negociações de adesão relativas à política de concorrência e à
união aduaneira. “Com 18 capítulos agora provisoriamente encerrados - mais de
metade do caminho até à conclusão -, o Montenegro continua na liderança do
processo de adesão à UE”, recordou Byrne.
A Albânia, que também se encontra no pelotão da frente,
conseguiu ontem encerrar provisoriamente mais três capítulos do seu processo de
adesão: Ciência e Investigação, Educação e Cultura e Relações Externas.

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