"Vais pagá-las". Ventura diz que MAI o ameaçou e pede reunião urgente a Seguro. Ministro desmente: "O que disse foi 'têm zero'"
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Ventura
publicou um vídeo legendado com o que alegadamente Luís Neves disse num debate
no fim de maio. Ministro desmente ter ameaçado o presidente do Chega
A história data de 27 de maio, mas, diz o presidente do Chega, só agora foi possível perceber as "provas” da alegada ameaça do ministro da Administração Interna (MAI). Num vídeo publicado nas redes sociais e num comunicado enviado às redações, o partido diz que Luís Neves disse “Vais pagá-las todas” durante um debate na Assembleia da República, sem que seja possível ouvir o que o governante disse.
Ventura pede que o ministro se retrate, questiona o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, se o MAI tem condições para continuar no
cargo e pede a uma reunião ao presidente da República. Ao Expresso, o ministério
da Administração Interna desmente categoricamente o conteúdo do vídeo
transmitido pelo Chega.
Fonte: Expresso, 12 de julho de 2026
Ventura diz que soube de alegadas ameaças de Luís Neves
por parte de elementos do governo
O presidente do Chega, André Ventura, disse hoje que foram
elementos do governo e “deputados próximos” do ministro da Administração
Interna que lhe contaram sobre as alegadas ameaças de Luís Neves, que o próprio
já negou.
“Ontem [domingo] o partido decidiu tornar pública uma
exposição, cuja denúncia tinha vindo da parte da bancada do próprio governo e
de deputados próximos do senhor ministro da Administração Interna, Luís Neves,
em relação à presença no debate sobre a corrupção do SIRESP e o dinheiro gasto
em torno do SIRESP”, afirmou, sem esclarecer a quem se referia.
O líder do Chega falava aos jornalistas na sede do partido,
Lisboa, um dia depois de Luís Neves ter rejeitado ter feito qualquer ameaça a
André Ventura.
Depois de no domingo ter pedido uma reunião urgente ao presidente
da República, Ventura reiterou hoje as acusações a Luís Neves, dizendo que por
menos já houve demissões de ministros.
“São palavras absolutamente inaceitáveis,
situações muito menores levaram à demissão de ministros noutras circunstâncias
da República Portuguesa no período democrático. Isto acontece porque Luís Neves
se sente impune, acha que pode fazer o que quer, dizer o que quer, ameaçar
todos com investigações ou ameaçar todos com o poder que tem”, acusou, dizendo
não ter medo e que “é a democracia que está em causa”.
O Chega alega que no debate quinzenal de 27 de maio,
enquanto Ventura intervinha sobre o SIRESP, o ministro da Administração Interna
dirigiu ameaças a André Ventura. Para sustentar essa acusação, o Chega divulgou
nas redes sociais um excerto das imagens capturadas pela ARTV do momento em
questão. Contudo, não são audíveis as palavras do ministro Luís Neves.
Segundo a leitura do Chega, que legendou o vídeo, Luís Neves teria afirmado que Ventura iria pagar pelo que estava a dizer no plenário sobre o SIRESP.
Entretanto, Luís Neves rejeitou publicamente estas acusações
e acusou o Chega de ter divulgado nas redes sociais “imagens truncadas”,
estranhando o momento da divulgação.
Hoje, o líder do Chega justificou que começou “por
desvalorizar” o caso, por “entender que tinha sido o calor do momento”, até ter
recebido “denúncias mais sérias da ameaça e do abuso de poder que tinha sido
determinado pelo ministro da Administração Interna”, o que considerou
“absolutamente inaceitável”.
Recusando ter manipulado o vídeo divulgado nas redes
sociais, que foi legendado pelo partido, Ventura defendeu que "não pode
haver ministros com poderes absolutos, nem pode haver a ameaça de usar a PJ, a
PSP ou a GNR contra partidos políticos ou contra opositores, calando
jornalistas e partidos políticos sobre esta matéria”.
O presidente do Chega referiu-se também às notícias sobre as
obras numa casa do ministro feitas por uma empresa que trabalhou primeiro para
a Polícia Judiciária – entidade que Luís Neves liderou antes de ir para o governo.
André Ventura considerou que pode haver um “eventual
conflito de interesses” e referiu que o governante “diz que pagou cinco mil
euros a um empreiteiro em dinheiro aos fins de semana, quando o próprio governo
tem na sua página a proibição de utilizar em numerário mais do que três mil
euros”, e que “só passará faturas quando tiver o valor final, contrário à lei e
contrário àquilo que o próprio Governo definiu como legal”.
“Há hoje suspeitas severas sobre o ministro da Administração
Interna e sobre a sua conduta, sobre a sua integridade”, considerou, pedindo
que sejam esclarecidas antes do debate sobre o Estado da Nação, quinta-feira,
no Parlamento.
Ventura adiantou que, no debate, vai “dizer ao
primeiro-ministro que este ministro da Administração Interna não deve continuar
enquanto ameaçar jornalistas” ou “enquanto ameaçar líderes da oposição”,
adiantou.
Na conferência de imprensa, Ventura também criticou a
comunicação social pela cobertura do caso, em particular a RTP.
Fonte: Lusa, 13 de julho de 2026
Ministro da Administração Interna nega ter ameaçado
André Ventura. Chega pediu reunião com Presidente da República
Luís
Neves diz ainda ser "estranho" que as alegações do partido tenham
surgido tanto tempo depois e acusa o partido de "truncar imagens"
Luís Neves recusou este domingo ter ameaçado André Ventura
durante o debate quinzenal de 27 de maio, depois de o Chega ter feito este
domingo acusações nesse sentido e pedido até uma reunião urgente com António
José Seguro.
Em entrevista ao canal Now, o ministro da
Administração Interna esclareceu que não disse “vais pagá-las todas, vais ver,
vais engoli-las todas”, como indicado pelo Chega, mas sim “têm zero, vocês vão ver”. “E viram no dia 17
[de junho] quando eu fui ao Parlamento para ser ouvido sobre o tema SIRESP”,
afirmou.
Para Luís Neves, é “muito estranho” que a publicação tenha
sido feita agora, “quase um mês depois”. “Nunca ameacei ninguém, não é a minha maneira de ser”, sublinha o
governante, que rejeitou “completamente” a atitude que lhe tinha sido imputada
e acusou o partido de “truncar imagens”.
Este domingo, o Chega acusou o ministro de ameaçar André
Ventura “de forma grave e direta” no Parlamento e pediu uma reunião urgente ao
Presidente da República.
O Chega disse que pediu uma reunião urgente a António José
Seguro por considerar inadmissível esta situação, apelando ao ministro que se
retrate das “ameaças e insinuações feitas em plenário”. O partido também
“questionou hoje o primeiro-ministro acerca da manutenção de condições de
continuidade de um ministro que não apenas foge do escrutínio como ameaça os
opositores políticos com o uso ou a utilização de manobras policiais de
intimidação”.
Questionado pela agência Lusa, fonte oficial do Chega
referiu que logo após este debate o partido tinha sido alertado desta situação.
“O ministro esbracejava, mexia-se na cadeira, ameaçava o
presidente do Chega de ‘fazê-lo pagar’ pelo que estava a dizer e que ‘eles iam
cair em cima de nós com toda a carga’”, referiu a mesma fonte oficial,
remetendo para o mesmo vídeo.
Fonte: Observador, 12 de julho de 2026

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