Ameaça com míssil portátil esteve na origem da fuga secreta de Trump

Informação foi considerada grave

Uma ameaça específica ao Air Force One por um míssil portátil surgiu no último dia da cimeira da NATO do mês passado, na Turquia, de acordo com uma pessoa a par do assunto, o que levou a uma corrida entre as autoridades norte-americanas para elaborar o plano secreto de retirar o presidente Donald Trump do país num avião alternativo.

A ameaça era suficientemente específica para que as autoridades temessem que a vida de Trump corresse um risco enorme se ele saísse do país quer no antigo Air Force One, quer no jato doado pelo Catar que utilizou para voar até à cimeira.

A fonte recusou-se a revelar a origem da informação sobre a ameaça, mas afirmou que esta era considerada grave, em parte devido ao grau de precisão com que os iranianos pareciam conhecer os pormenores dos planos de Trump na Turquia. Trump passou uma noite em Ancara, a capital turca, num hotel de luxo do centro da cidade, e deslocou-se várias vezes entre o hotel e os locais da cimeira.

Autoridades, incluindo membros das forças armadas e do Serviço Secreto, elaboraram o plano para transferir Trump para outro avião, utilizando um camião de catering, para que pudesse sair do país em poucas horas. Trump tinha sido acompanhado até à Turquia por vários altos responsáveis, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário da Defesa Pete Hegseth e o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine. No entanto, nem todos iriam acompanhar o presidente na sua partida.

Uma análise de vídeo realizada pela CNN revelou que as autoridades no Aeroporto de Ancara começaram a posicionar o camião de catering ao lado do Air Force One antes de a comitiva do presidente chegar à pista.

Depois de Trump ter embarcado no avião, o contentor do camião de catering foi baixado e este afastou-se do avião maior, dirigindo-se para o C-32A, de menor dimensão.

O avião maior, agora sem o presidente a bordo, descolou por volta das 20:44, hora local, passando mesmo ao lado do avião mais pequeno com Trump no seu interior. O avião mais pequeno arrancou um minuto depois.

Quando chegou a altura de mudar de avião, tanto Rubio como Bessent permaneceram no Boeing 747 azul e branco, juntamente com outros funcionários da Casa Branca, militares e membros da imprensa, de acordo com responsáveis norte-americanos.

A maioria dos passageiros do avião não sabia que Trump não estava a bordo.

Assessores pessoais próximos acompanharam o presidente a bordo da pequena aeronave que o transportou para uma base militar na Grã-Bretanha, segundo uma fonte a par dos preparativos, incluindo Natalie Harp, uma assistente executiva que acompanha regularmente Trump nas suas viagens; Dan Scavino, vice-chefe de gabinete da Casa Branca; e Walt Nauta, diretor de operações da Sala Oval, que também viaja frequentemente com o presidente.

Hegseth, Nauta e Harp aparecem todos num vídeo ao lado de Trump na base aérea, enquanto este caminhava do antigo Air Force One para o novo avião do Catar, para o voo de regresso a Washington.

Trump não dá relevância ao esquema elaborado

Na terça-feira, Trump confirmou as linhas gerais do esquema, mas minimizou a natureza da manobra

"Eu apenas sigo o que eles querem fazer. Por isso, sigo as orientações do Serviço Secreto e das forças armadas. Eles queriam que eu apanhasse um voo diferente, um avião diferente, com o mesmo nível de segurança, mas queriam que eu o fizesse, por isso faço-o. Faço o que eles dizem", disse Trump aos jornalistas ao aterrar na Base Conjunta de Andrews, vindo de Ohio, esta terça-feira.

Trump afirmou que não lhe foram fornecidos muitos detalhes sobre o que motivou essa manobra clandestina e declarou não se sentir incomodado com a possibilidade de um ataque com mísseis portáteis durante a sua partida da Turquia.

"Para ser sincero, não me preocupo com nada. Seja o que for, sabem qual é a minha atitude? Não me interessa."

Trump mostrou-se preocupado com as ameaças iranianas à sua vida ao longo do seu último dia na cimeira da NATO, abordando o assunto repetidamente com os jornalistas. O governo dos EUA há muito que alerta para a possibilidade de o Irão tentar assassinar Trump em retaliação pelo ataque com drones que ele ordenou em 2020, no qual morreu um general iraniano de alta patente, Qassem Soleimani.

Nos dias que antecederam a visita de Trump à Turquia, multidões de iranianos clamaram pela morte de Trump durante as cerimónias fúnebres do Líder Supremo assassinado, o aiatola Ali Khamenei, que foi morto no início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão.

Hamid Rasaei, um clérigo conservador e membro do parlamento iraniano, escreveu, enquanto Trump se encontrava na Turquia, que o presidente dos EUA deveria ser alvo de um ataque enquanto estivesse na região: "A minha sugestão é a seguinte: agora que o bastardo do Trump está ao nosso alcance e veio à Turquia para a cimeira da NATO, devemos, oficialmente e sem hesitação, atingir com um míssil o local onde Trump e vários outros criminosos se encontram na Turquia."

A CNN noticiou nos dias que se seguiram à cimeira que Israel tinha partilhado informações com os Estados Unidos, segundo as quais o Irão tinha recentemente elaborado um novo plano para assassinar Trump.

No entanto, alguns responsáveis manifestaram, na altura, ceticismo em relação às informações israelitas, sugerindo que o relatório era visto, em parte, como parte de um esforço mais amplo de Israel para influenciar a tomada de decisões de Trump relativamente ao Irão.

Fonte: CNN Portugal, 12 de agosto de 2026

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