Antigo chefe do Mossad revela que agentes israelitas visitaram "muitas vezes" instalação nuclear iraniana de Fordo

Yossi Cohen, que liderou o Mossad entre 2016 e 2021, disse ainda que o bombardeamento norte-americano de Fordo foi "a concretização de todos os sonhos"

Um antigo chefe do Mossad afirmou esta terça-feira que agentes dos serviços secretos israelitas visitaram “muitas vezes” a instalação nuclear iraniana de Fordo, 120 quilómetros a sul de Teerão, para compreender melhor as infraestruturas.

Em junho de 2025, Israel lançou uma guerra contra o arqui-inimigo, o Irão, com o objetivo declarado de enfraquecer os programas nuclear e balístico, que considera uma “ameaça existencial”.

As forças armadas norte-americanas participaram por pouco tempo nesse conflito de 12 dias, utilizando aviões de última geração para bombardear as instalações nucleares de Fordo, Natanz e Isfahan, as duas últimas a 320 e 330 quilómetros a sul de Teerão, respetivamente.

O complexo de enriquecimento de Natanz voltou a ser alvo durante o conflito lançado a 28 de fevereiro por uma ofensiva norte-americana e israelita.

“Visitámos a instalação nuclear de Fordo muitas vezes para compreender a infraestrutura”, declarou Yossi Cohen, que dirigiu o Mossad de 2016 a 2021, durante uma conferência que reuniu responsáveis das autarquias locais, de acordo com os meios de comunicação social israelitas.

Cohen não especificou quando foram realizadas essas visitas nem quem nelas participou.

Segundo a mesma fonte, Cohen acrescentou que “o bombardeamento da instalação pelos norte-americanos foi a concretização de todos os [seus] sonhos”.

O programa nuclear iraniano constitui há muito um importante motivo de divergência entre Teerão e os países ocidentais, que acusam a República Islâmica de querer dotar-se de armas nucleares, o que é negado por Teerão, que argumenta que a investigação se destina a meios pacíficos.

Antigo próximo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, Cohen desempenhou um papel importante, durante o seu mandato, na conclusão dos Acordos de Abraão, promovidos pelos Estados Unidos, que conduziram à normalização das relações entre Israel e três países árabes, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos.

O Sudão também aderiu aos acordos, mas o país mergulhou posteriormente na guerra e nunca ratificou nem implementou o acordo.

Cohen foi associado ao assassínio, em 2020, do cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh, embora Israel nunca tenha comentado oficialmente esta operação.

Desde o fim do mandato à frente da agência, o antigo chefe do Mossad continua muito presente no espaço público. Concede regularmente entrevistas aos meios de comunicação social israelitas e deu a entender por várias vezes que podia entrar na política, o que ainda não aconteceu

Fonte: Observador, 11 de agosto de 2026

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