Axel Springer, Politico e USA TODAY: a crescente lista de clientes da Palantir no setor dos média
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(2007–2012) - Jennette McCurdy, Miranda Cosgrove, Nathan Kress, Jerry Trainor
O profiling
comportamental era algo que as empresas de tecnologia publicitária faziam do
outro lado do vidro. Agora, é uma rubrica da própria estratégia de crescimento
dos órgãos de comunicação social
A USA TODAY Co., que detém mais de 200 jornais locais e o
diário nacional USA TODAY, informou os investidores de que contratou a Palantir
para trabalhar os dados que possui sobre os seus leitores — e o plano que
descreveu passa por acabar com o seu anonimato.
O presidente do conselho de administração e
diretor-executivo, Mike Reed, explicou-o nos termos da própria empresa durante
a apresentação dos resultados do segundo trimestre. «Cada visita, cada sessão e
cada momento de atenção gera um sinal», afirmou, acrescentando que, quando a
empresa cruza esses sinais, eles se transformam em «informação acionável».
Segundo Reed, o trabalho com a Palantir destina-se a criar «uma camada de
inteligência comum que liga a nossa audiência, os nossos conteúdos e os nossos dados
próprios».
Leia-se o resto das mesmas declarações e percebe-se o que a
empresa pensa de um leitor que se limita a ler. O seu foco está a «afastar-se
do tráfego de uma só visita, porque, embora contribua para o número de
visitantes únicos, acaba por ser a nossa audiência menos valiosa e menos
monetizável». Uma pessoa que abre uma notícia, a lê e vai embora sem fornecer o
nome é, nesta contabilidade, o tipo de pessoa menos valioso para o jornal — e o
anonimato é a deficiência que o dinheiro pretende corrigir.
Então, para onde vai um leitor que queira continuar anónimo?
Outros grupos de comunicação social fizeram a mesma opção. A
Axel Springer, que detém Business Insider, Politico, Bild
e The Telegraph, estabeleceu um acordo do mesmo género, e a Palantir
afirma que o seu software forneceu ao grupo alemão «informações detalhadas
sobre o comportamento dos leitores, o desempenho da publicidade e os seus
modelos de subscrição». A Fox News também tem um acordo próprio com a
Palantir, e a Thomson Reuters fornece dados à empresa.
A resposta da empresa à preocupação óbvia é que nada sai das
suas instalações. «Todos os nossos dados continuam a ser nossos», afirmou Reed,
apresentando o acordo como uma forma de avançar mais rapidamente com um
software que demoraria muito mais tempo a desenvolver internamente.
Numa declaração publicada pelo Nieman Lab, que teve acesso
aos documentos internos e à resposta da empresa, a USA TODAY Co. afirmou que
cumpre a legislação relativa à proteção de dados, que exige o mesmo dos seus
parceiros e que «as nossas decisões editoriais continuam a ser independentes».
Kristin Roberts, presidente da USA TODAY Media, disse aos funcionários, por
e-mail, que o trabalho poderia permitir «melhores recomendações e ofertas,
baseadas naquilo com que as pessoas realmente se preocupam».
Manter os dados dentro das instalações é uma questão
diferente daquilo que a empresa faz com eles. Segundo essa reportagem, Reed
afirmou que o objetivo era pegar nas «interações anónimas que temos atualmente
e transformá-las em relações identificadas».
Alguns aspetos do acordo não são públicos. A empresa não
revelou o seu preço nem a duração prevista e o seu porta-voz recusou responder
a perguntas sobre os seus pormenores.
Fonte: Reclaim The Net, 11 de agosto de 2026

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