Axel Springer, Politico e USA TODAY: a crescente lista de clientes da Palantir no setor dos média


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O profiling comportamental era algo que as empresas de tecnologia publicitária faziam do outro lado do vidro. Agora, é uma rubrica da própria estratégia de crescimento dos órgãos de comunicação social

A USA TODAY Co., que detém mais de 200 jornais locais e o diário nacional USA TODAY, informou os investidores de que contratou a Palantir para trabalhar os dados que possui sobre os seus leitores — e o plano que descreveu passa por acabar com o seu anonimato.

O presidente do conselho de administração e diretor-executivo, Mike Reed, explicou-o nos termos da própria empresa durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre. «Cada visita, cada sessão e cada momento de atenção gera um sinal», afirmou, acrescentando que, quando a empresa cruza esses sinais, eles se transformam em «informação acionável». Segundo Reed, o trabalho com a Palantir destina-se a criar «uma camada de inteligência comum que liga a nossa audiência, os nossos conteúdos e os nossos dados próprios».

Leia-se o resto das mesmas declarações e percebe-se o que a empresa pensa de um leitor que se limita a ler. O seu foco está a «afastar-se do tráfego de uma só visita, porque, embora contribua para o número de visitantes únicos, acaba por ser a nossa audiência menos valiosa e menos monetizável». Uma pessoa que abre uma notícia, a lê e vai embora sem fornecer o nome é, nesta contabilidade, o tipo de pessoa menos valioso para o jornal — e o anonimato é a deficiência que o dinheiro pretende corrigir.

Então, para onde vai um leitor que queira continuar anónimo?

Outros grupos de comunicação social fizeram a mesma opção. A Axel Springer, que detém Business Insider, Politico, Bild e The Telegraph, estabeleceu um acordo do mesmo género, e a Palantir afirma que o seu software forneceu ao grupo alemão «informações detalhadas sobre o comportamento dos leitores, o desempenho da publicidade e os seus modelos de subscrição». A Fox News também tem um acordo próprio com a Palantir, e a Thomson Reuters fornece dados à empresa.

A resposta da empresa à preocupação óbvia é que nada sai das suas instalações. «Todos os nossos dados continuam a ser nossos», afirmou Reed, apresentando o acordo como uma forma de avançar mais rapidamente com um software que demoraria muito mais tempo a desenvolver internamente.

Numa declaração publicada pelo Nieman Lab, que teve acesso aos documentos internos e à resposta da empresa, a USA TODAY Co. afirmou que cumpre a legislação relativa à proteção de dados, que exige o mesmo dos seus parceiros e que «as nossas decisões editoriais continuam a ser independentes». Kristin Roberts, presidente da USA TODAY Media, disse aos funcionários, por e-mail, que o trabalho poderia permitir «melhores recomendações e ofertas, baseadas naquilo com que as pessoas realmente se preocupam».

Manter os dados dentro das instalações é uma questão diferente daquilo que a empresa faz com eles. Segundo essa reportagem, Reed afirmou que o objetivo era pegar nas «interações anónimas que temos atualmente e transformá-las em relações identificadas».

Alguns aspetos do acordo não são públicos. A empresa não revelou o seu preço nem a duração prevista e o seu porta-voz recusou responder a perguntas sobre os seus pormenores.

Fonte: Reclaim The Net, 11 de agosto de 2026

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