Bessent anuncia bloqueio económico total ao Irão: “Ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”
O
secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou a 'Operação
Pária Económico' contra o regime iraniano e os seus parceiros, para cortar
todos os laços económicos de Teerão.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent,
anunciou esta segunda-feira que os Estados Unidos vão lançar a “Operation Economic Outcast” (Operação Pária
Económico), que descreveu como “uma campanha sem precedentes contra a República
Islâmica do Irão e todos os seus apoiantes”. Os mercados mantiveram-se estáveis
perante as declarações de Bessent.
“Estamos a lançar um ataque
económico contra as conexões financeiras do Irão em todo o mundo. O objetivo é
cortar todos os laços económicos que sustentam o regime tirânico até que Teerão
fique sozinho”, disse o secretário do Tesouro, durante uma
conferência de imprensa.
“Qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro
iraniano será removida do sistema de dólares
norte-americano. O relógio começou a contar. Os EUA irão bloquear
todas as fontes de receitas para Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. Todos
os países e entidades devem saber que vão ser alvo de sanções se continuarem a
negociar com o Irão. Ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”,
sublinhou Bessent.
Numa perspetiva mais geral, Bessent alertou que as nações
desalinhadas com as sanções dos EUA vão partilhar o isolamento do Irão. O aviso
surge após o presidente Donald Trump ter
convocado, no fim de semana, vários países a integrarem a sua “guerra económica”
contra Teerão.
O secretário do Departamento do Tesouro vincou que “mapeou
cada nó, cada facilitador e cada rede que o Irão usou para contrabandear
petróleo e burlar as sanções”, acrescentando que Washington vai “apertar o
cerco e bloquear todas as fontes potenciais de receita que financiam a Guarda
Revolucionária Iraniana”.
Durante o seu discurso, Scott Bessent esclareceu que as
sanções secundárias anunciadas pelos EUA terão como alvo “cinco dos setores
mais vitais que o Irão explora em outros países: ativos digitais, tecnologia,
ouro, aviação e transporte marítimo”.
Questionado sobre o facto de os bancos chineses não
integrarem a lista de entidades sancionadas, o executivo norte-americano
remeteu apenas para a mensagem: “ninguém está acima do alcance das sanções
americanas”. Porém, assinalou que se “facilitarem transações e fizerem parte do
ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro, então, “serão
alvos”.
“Estamos a estabelecer padrões de igualdade com todos os
países para deixar claras as nossas expectativas. Sabemos quem são. Eles sabem
quem são. Portanto, quando o martelo das ações
do Tesouro dos EUA cair sobre eles, não terão a quem culpar senão a
si mesmos”, advertiu Scott Bessent.
Novas sanções atingem petróleo, mísseis e ciberataques
O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou novas
sanções contra cerca de 60 entidades, indivíduos e navios ligados ao Irão,
atingindo redes associadas aos programas nuclear e de mísseis, ciberataques e
ao comércio de petróleo.
As medidas visam uma rede de aquisição de tecnologia e
equipamento para o desenvolvimento de mísseis balísticos e investigação
nuclear, bem como um grupo de ciberataques ligado ao ministério dos Serviços de
Inteligência e Segurança iraniano, acusado de comprometer infraestruturas
críticas dos EUA e realizar roubos informáticos, refere o organismo dos EUA em
comunicado.
As sanções abrangem 15 pessoas, das quais seis são iranianas, quatro chinesas, duas gregas, uma
singapurense, uma com nacionalidade síria e dos Emirados Árabes Unidos e outra
com nacionalidade ucraniana e dos Emirados Árabes Unidos.
Quanto às empresas e outras entidades sancionadas, são 38 no
total, distribuídas da seguinte forma: 15 sediadas em Hong Kong; 8 nos Emirados
Árabes Unidos; 4 em Singapura; 2 na China; 1 na Malásia, assim como no Irão,
Suíça e França; 5 empresas proprietárias dos navios, cuja
localização/nacionalidade não é indicada no comunicado do Departamento do
Tesouro norte-americano.
Washington sancionou ainda uma rede de intermediários,
empresas e navios da chamada “frota sombra”, que opera através de vários países
para transportar petróleo iraniano e canalizar receitas para a Força Quds –
unidade de elite de operações no exterior do Corpo da Guarda Revolucionária
Islâmica – e outros elementos do regime.
Em paralelo, o Departamento de Estado sancionou sete membros
da liderança da Defesa iraniana e duas entidades envolvidas no apoio aos
ataques militares iranianos contra forças norte-americanas e parceiros na
região.
Fonte: ECO, 24 de agosto de 2026

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