Boy George enfrenta críticas por nova canção pró-Israel
Cantor
britânico Boy George, vocalista da banda Culture Club, lançou uma canção em
solidariedade com Israel
Intitulada “Od Nirkod (Voltaremos a dançar)”, a canção com influências de reggae não foi disponibilizada nas plataformas de
streaming e foi antes publicada na conta X do artista, acompanhada da legenda
“Shalom”.
A expressão que dá título à canção está intimamente
associada ao ataque de 7 de outubro do Hamas contra o festival Supernova Sukkot
Gathering, que provocou a morte de 378 pessoas e levou Israel a lançar a sua
campanha militar em Gaza. É também o título de um documentário de 2024 sobre o
ataque.
A canção
abre com os versos: “You say genocide / I say war / When you're attacked /
That's what the army is for / Does it get ugly? / You bet it does / When I know
you want to kill / Every last one of us...” Afirma abertamente que não
está em curso qualquer genocídio em Gaza – apesar de relatórios da Amnistia
Internacional, da Human Rights Watch e das Nações Unidas indicarem o contrário.
Um relatório recente de uma comissão independente da ONU
concluiu que “as autoridades e forças de segurança israelitas têm visado deliberadamente crianças palestinianas,
resultando em genocídio e crimes de atrocidade na Faixa de Gaza e crimes de
guerra na Cisjordânia”. O documento cita uma conclusão da comissão no ano
passado, segundo a qual “Israel cometeu genocídio contra o grupo palestiniano
na Faixa de Gaza, tendo constatado que a intensidade e natureza sistemática das
operações militares israelitas se mantiveram, provocando um número sem
precedentes de mortes, feridos e traumas em crianças palestinianas”.
Entre
outros versos, ouve-se: “Young girls raped against trees / Murdered brutally /
You condemn the Jews / With selective memory / Musicians holding flags /
Mouthing like sheep / Propaganda fuelled by the internet / Feels so weak”.
A canção foi arrasada nas redes sociais e o intérprete de
“Karma Chameleon” enfrenta uma onda de críticas pelas letras.
“Não sabes que mais de 20 000 crianças foram chacinadas, que
uma população foi sujeita a limpeza étnica e colocada num campo de
concentração, que mais de 80% da infraestrutura foi destruída, que milhares
foram mortos e alvo de limpeza étnica na Cisjordânia? Devia envergonhar-te”,
escreveu um utilizador do X, enquanto outro acrescentou: “Que peça de
propaganda sionista depravada e repugnante, concebida para justificar o
massacre de mais de 80 000 palestinianos, incluindo mais de 20 000 crianças, e
a sua contínua opressão, desapossamento, humilhação e massacre”.
Outro comentou: “Música terrível, pessoa terrível, e desceu
ao ponto de apoiar um genocídio só para tentar ser do contra, na esperança de
que isso compense – não vai. Arruinaste qualquer boa vontade que alguém pudesse
ter em relação a ti e apenas cavaste uma sepultura ainda mais funda para a tua
carreira morta”.
Outro ecoou este sentimento, escrevendo: “Vendeu a alma, é
uma enorme desilusão. Os seus familiares irlandeses que lutaram pela liberdade
ficariam horrorizados”.
Nas redes sociais, muitos recordaram também um caso de 2007 em que Boy George foi condenado a 15
meses de prisão por sequestro de um acompanhante masculino, que
algemou a uma parede e agrediu com uma corrente metálica.
Boy George, criado numa família católica irlandesa e que não
é judeu, tem manifestado de forma pública o seu apoio a Israel.
No início deste ano, disse num evento da Eurovisão em
Londres: “Tenho muitos, muitos amigos judeus desde que tinha 15 ou 16 anos. As
pessoas estão a pedir‑me, enquanto alguém de princípios, que lhes vire costas?
Isso não vai acontecer, nunca vai acontecer”.
Ao contrário de muitos artistas que denunciaram o genocídio
e boicotaram Israel, Boy George rejeitou os apelos do movimento Boicote,
Desinvestimento, Sanções (BDS) para não atuar em Telavive.

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