Donald Trump diz que irá declarar em breve o Estreito de Ormuz como território dos EUA
O presidente
Donald Trump afirmou na sexta-feira que iria em breve declarar o Estreito de
Ormuz como território dos EUA, mal o Irão fosse derrotado. Apelou ainda aos norte-americanos para suportarem o
agravamento dos preços devido à guerra. lembrando que esta pretende impedir
"um país muito mau" de ter acesso à arma nuclear.
O sorriso de Trump sobre a anexação de Ormuz, feita num
comício do Partido Republicano em Garden City, perto de Nova Iorque, sugeria
que se tratava de uma brincadeira. Enquanto declaração pública de um presidente,
as palavras implicam um agravamento da retórica sobre a importante via
navegável que transporta uma parte significativa do fornecimento global de
petróleo.
"Assim que derrotarmos o Irão", afirmou Trump,
"em breve declararei o Estreito de Ormuz como território dos Estados
Unidos".
Kazem Gharibabadi, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irão, reagiu à declaração de Trump, de que iria declarar o Estreito de Ormuz como território americano, afirmando que o Irão não se sente intimidado por ameaças ou demonstrações de força dos EUA.
O Estreito de Ormuz só será aberto ou fechado sob a
autoridade do Irão, sublinhou o iraniano.
De acordo com a agência de notícias iraniana ISNA,
Gharibabadi acrescentou que ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o
retomar das negociações com os EUA.
O líder norte-americano reiterou, no discurso em Garden
City, que os Estados Unidos "controlam" aquela importante via
marítima, rota essencial para o comércio, uma alegação que o governo do Irão
classifica como "mentira".
A passagem estratégica de Ormuz foi bloqueada pelo Irão no
início da guerra, levando os Estados Unidos a retaliar impondo um bloqueio aos
portos iranianos, depois de Teerão ter ordenado ataques a navios comerciais que
tentaram furar o bloqueio.
"Nunca vou pedir desculpa" pela guerra com o Irão
Ao discursar durante o comício, Trump defendeu a sua decisão
de entrar em guerra para impedir o Irão de adquirir armas nucleares, dizendo
que "nunca pediria desculpa" por isso, apesar do aumento dos preços
dos combustíveis enfrentado pelos americanos.
O Irão "nunca terá armas nucleares", afirmou
Donald Trump. "Se tiver de pagar um pouco mais" pela gasolina,
"está bem", afirmou. "Nunca vou pedir desculpa. Tomei a decisão certa", declarou. Em
comparação com os níveis pré-guerra, os preços da gasolina nos Estados Unidos
subiram mais de 35 por cento na sexta-feira, referiu a agência Reuters.
O conflito com o Irão tem perdido apoios ao longo dos meses,
com a insatisfação das famílias com o custo de vida a levar a popularidade de
Donald Trump a cair a pique.
Consciente da aproximação das eleições intercalares de
novembro próximo, que poderão roubar aos republicanos o controlo do Congresso
para os democratas, Trump apelou aos seus
concidadãos para aceitarem os efeitos económicos e preços ligeiramente mais
elevados da gasolina, como o custo de impedir o Irão de obter uma
arma nuclear, antes de se referir ao Estreito de Ormuz como o próximo
território dos EUA.
O aumento dos preços dos combustíveis entrou em conflito com
a promessa de campanha Trump de redução dos custos energéticos. Os Democratas
já fizeram do incumprimento desta promessa e das consequências económicas da
guerra com o Irão, temas centrais das suas campanhas para as eleições
intercalares.
No discurso em Garden City, Trump
disse que os norte-americanos, que tiveram de "pagar um bocadinho mais
pela gasolina", deviam lembrar-se de que esse era o custo de
garantir que "um país muito mau" não podia ter uma arma nuclear.
"O que estamos a fazer é um grande serviço ao mundo, não
apenas a nós próprios... e estamos realmente a fazer um grande trabalho",
disse Trump.
Cerca de 20 por cento dos carregamentos globais de petróleo
e GNL passam normalmente pelo Estreito de Ormuz, e o potencial de perturbações
a longo prazo fez com que os preços do petróleo subissem.
Esta defesa do conflito no Irão por parte de Trump, surgiu
pouco depois de o vice-presidente JD Vance ter afirmado que os preços do
petróleo têm vindo a baixar.
"Os preços do petróleo caíram e estão muito mais baixos
do que os picos atingidos no início do conflito. Esse é o objetivo número um:
manter o petróleo e a gasolina baratos para os americanos", disse Vance à Fox
News.
"E o segundo objetivo é, obviamente, garantir que o
Irão nunca adquira armas nucleares", acrescentou JD Vance, afirmando:
"Penso que estamos a atingir ambos os objetivos".
Fonte: RTP, 14 de agosto de 2026


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