Em plena crise de Infantino, aponta-se uma sucessora histórica
Vladimir Maiakovski, Alexander Rodchenko, Dmitri
Shostakovich e Vsevolod Meyerhold durante a produção da peça "O
Percevejo" (Klop), 1929
A publicação de Blatter, divulgada na tarde de terça-feira
na Europa, ficou-se por menos de 300 caracteres e apontou a pessoa que quer ver
à frente do futebol mundial.
«Lise Klaveness merece o maior respeito. Foi a única que
sempre assumiu uma posição clara e não se deixou levar pela corrente. E, na FIFA, chegou o momento certo para uma mulher
assumir a liderança», escreveu no X.
A intervenção é o primeiro apoio público a um sucessor
identificado vindo de um antigo presidente da FIFA enquanto Infantino ainda
está no cargo.
Surge no meio da mais grave crise de governação da sua
presidência, com a Sky Sports a noticiar que 91 federações nacionais já
se juntaram aos pedidos para que abandone o cargo. Fica aquém das 106
necessárias para forçar uma votação, mas é um número muito superior ao das
federações que o tinham criticado publicamente algumas semanas antes.
Quem é Klaveness
Klaveness é advogada, antiga internacional norueguesa e a
primeira mulher a liderar a Federação Norueguesa de Futebol desde a sua
fundação, em 1902.
A sua reputação de confronto construiu-se no Congresso da
FIFA em Doha, em março de 2022, semanas antes do Mundial do Qatar.
Na tribuna, com a federação anfitriã na sala, afirmou que o
torneio tinha sido atribuído «de formas inaceitáveis, com consequências
inaceitáveis» e virou-se contra a liderança da FIFA por causa das mortes de
trabalhadores migrantes, dos direitos LGBTQ+ e da resposta da organização à
invasão russa da Ucrânia.
«Não há lugar para empregadores que não garantam a liberdade
e a segurança dos trabalhadores do Mundial», disse à sala.
«Não há lugar para dirigentes que não conseguem organizar o
futebol feminino. Não há lugar para anfitriões que não conseguem garantir
legalmente a segurança e o respeito das pessoas LGBTQ+ que vêm a este teatro de
sonhos.»
É para essa tomada de posição que Blatter parece estar a
apontar.
O que Infantino enfrenta
O que espoletou a atual crise foi a proposta de Infantino
para uma nova empresa chamada FIFA Forward Enterprise, que teria vendido uma
participação de 20% no negócio comercial e operacional da FIFA a investidores
privados, entregando-lhes uma fatia das operações do Mundial.
Foi forçado a retirá-la depois de a UEFA, a CONCACAF e a
Confederação Asiática de Futebol ameaçarem, cada uma, com um boicote e após
críticas surgidas no seio da própria FIFA.
As confederações não controlam a forma como as suas
associações membros votam numa eleição presidencial da FIFA, na qual cada um
dos 211 membros deposita o seu próprio voto. Ainda assim, a dimensão da
contestação foi suficiente para enterrar o plano em poucos dias.
O príncipe Ali bin Hussein, presidente da Federação da
Jordânia e antigo vice-presidente da FIFA, foi mais longe no fim de semana.
Acusou Infantino de condicionar o apoio da FIFA à sua
federação a um apoio público à recandidatura do presidente, classificando o
esquema como «chantagem». A Jordânia tornou-se o primeiro país asiático a
exigir a demissão de Infantino.
O secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, descreveu o
episódio como uma «triste e reprovável série de acontecimentos».
Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol
da FIFA, considerou a retirada do plano «absolutamente necessária e
indiscutível». Carlos Cordeiro, representante da FIFA no grupo de trabalho da
Casa Branca para o Mundial de 2026, apresentou a demissão.
Rabat na quarta-feira
Infantino convocou os principais quadros da FIFA para uma
reunião na capital marroquina, na quarta-feira, que o correspondente da Sky
Sports Kaveh Solhekol descreveu como um encontro «muito, muito tenso».
Klaveness não disse que é candidata. Ainda assim, Blatter
colocou agora o seu nome no centro do debate da sucessão.
Fonte: Lente Desportiva, 5 de agosto de 2026


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