Estudo. Há um sintoma de declínio cognitivo que passa despercebido
Um novo
estudo revela que o declínio cognitivo pode levar a uma diminuição da atividade
física em idosos, um sintoma que frequentemente passa despercebido. A pesquisa
destaca a importância de manter-se ativo para preservar a saúde mental
Manter a independência e o bem-estar à medida que vamos
envelhecendo exige um equilíbrio entre a
capacidade física e a agilidade mental.
A boa notícia é que ao ser fisicamente ativo está a proteger
o seu cérebro contra o declínio cognitivo - ou seja, o exercício ajuda a
fortalecer o seu corpo e mente.
Profissionais de saúde recomendam a que se faça caminhadas, natação e outras atividade e baixo
impacto, exercícios que têm sido associados a uma melhoria da saúde
cerebral.
Segundo um artigo do EatingWell, num estudo publicado
no JAMA Network Open, os investigadores procuraram perceber se o declínio da
memória e do raciocínio levava os idosos a tornarem-se menos ativos fisicamente
ao longo do tempo. Eis as conclusões.
Como foi conduzido o estudo?
Para entender como é que a saúde cerebral impacta o movimento físico, os investigadores examinaram informações de 2529 adultos com 50 anos ou mais residentes no Reino Unido.
O estudo adotou uma abordagem de longo prazo, acompanhando
as trajetórias cognitivas desses participantes ao longo de 17 anos. Durante
este período foram medidas a memória, assim como a fluência verbal.
A partir destes testes, os investigadores conseguiram traçar
uma trajetória individual para cada pessoa, mostrando se a função cognitiva
permaneceu estável, melhorou ligeiramente ou declinou.
O que o estudo descobriu?
Os dados revelaram uma clara associação entra a saúde cognitiva a longo prazo e
os níveis de atividade física.
Os participantes que registaram uma trajetória de memória
menos favorável, ou seja, cuja memória declinou mais acentuadamente ao longo
dos 17 anos, dedicaram menos tempo à atividade física na fase posterior da
vida.
Ao analisar os números, observou-se que indivíduos com
declínio de memória mais acentuado praticavam cerca de 1,6 horas a menos de
atividade física leve por semana em comparação com aqueles com trajetórias de
memória estáveis ou em melhora.
Atividade física leve inclui
movimentos como caminhadas, tarefas domésticas leves e preparação de refeições.
Para os participantes com mais de 70 anos, a diferença na
atividade física tornou-se ainda mais acentuada. Neste grupo, aqueles com
trajetórias de memória menos favoráveis registaram 2,3 horas a menos de
atividade física leve por semana.
Aqueles cuja memória declinou
mais rapidamente passavam mais tempo sentados ou deitados enquanto acordados.
O estudo descobriu que as alterações na memória tinham uma associação muito
mais forte com os padrões de movimento do que as alterações na fluência verbal.
Além disso, as diferenças na atividade física moderada a vigorosa e no tempo de
sono foram mínimas entre as diferentes trajetórias cognitivas.
Uma redução na atividade
física diária pode, assim, ser um indicador precoce de alterações cognitivas.
O cérebro precisa de uma determinada quantidade de capacidade de processamento
e organização para planear, iniciar e manter tarefas físicas. Se a memória e os
recursos cognitivos começarem a diminuir, o impulso natural e a capacidade de
se manter ativo pode também diminuir.

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