EUA. Crise de saúde mental e marines a tentarem lançar-se ao mar. Tripulação de navio de guerra está há nove meses a bordo
I Giorni
dell'ira (1967) - Christa Linder, Mirko Baiocchi, Franco Persichetti - "It's
Time to Go" cantado por Christa Linder
Tripulação
chegou a estar 250 dias consecutivos sem desembarcar. Secretário da Defesa dos
EUA disse que relatos eram “notícias falsas”, mas, entretanto, porta-aviões
deverá ser substituído
“Espero não acordar amanhã”, escreveu um membro da
tripulação do USS Abraham Lincoln à sua mulher, numa mensagem enviada na
quinta-feira da semana passada. Nesse mesmo dia, cerca de 200 familiares dos
mais de cinco mil marinheiros e fuzileiros navais destacados no navio de guerra
reuniram-se com responsáveis da Marinha norte-americana para denunciar o
agravamento das condições de vida e da saúde mental a bordo.
Os militares encontram-se há nove meses no mar — já estavam
no navio há quatro meses quando foram destacados para a guerra no Médio
Oriente, não tendo tido em todos estes meses grandes oportunidades de pisar
terra firme. No total, estiveram já 250 dias
consecutivos sem poder desembarcar — um recorde para um porta-aviões nos tempos
modernos.
Desde que foi redirecionado, em janeiro, o USS Abraham
Lincoln permanece estacionado no Mar Arábico. No entanto, o Wall Street
Journal avançou esta quinta-feira, citando autoridades norte-americanas,
que os EUA deverão destacar o porta-aviões USS George Washington para
substituir o navio de guerra “como parte de um plano de rotação previamente
agendado”.
Numa missão sucessivamente prolongada devido à guerra com o
Irão, multiplicam-se os relatos de membros da tripulação que terão tentado
lançar-se ao mar, segundo informações publicadas pelos jornais militares Navy
Times e Stars and Stripes. Durante o encontro com responsáveis da
Marinha norte-americana, entre os quais o secretário interino, Hung Cao, uma
das participantes terá mesmo acusado a instituição de ter “quebrado a
confiança” entre os familiares e a liderança, refletindo o crescente
descontentamento.
“O meu marido tentou lançar-se ao mar”. Os relatos dos
familiares
Annabelle Loma contou ao Navy Times, ainda antes do
anúncio da substituição da tripulação, o desespero do marido: “Ele está com
medo. Pensa que vai receber uma baixa desonrosa e que, só porque estava
exausto, a sua carreira de 13 anos será arruinada de um momento para o outro”.
Acrescentou mesmo ao jornal que o marido tentou lançar-se ao mar várias vezes
depois do seu período de serviço ter sido prolongado.
A mulher de outro marinheiro relatou ainda um incidente
distinto a bordo do USS Abraham Lincoln, no qual o marido terá impedido um
colega de se suicidar, agarrando-o a tempo quando este se preparava para se
lançar ao mar e conseguindo trazê-lo de volta para o convés.
Não são apenas os familiares dos membros da tripulação que
manifestam preocupação com a situação a bordo do USS Abraham Lincoln. Também
vários congressistas norte-americanos têm vindo a alertar para as dificuldades
enfrentadas pelos militares destacados no porta-aviões, que já cumpre o seu
quinto mês de operações de combate relacionadas com o conflito com o Irão.
Mike Levin, membro democrata do Congresso pela Califórnia,
denunciou os “chuveiros com mofo, casas de banho
avariadas, lavandarias paradas durante semanas, longos períodos sem água
quente, uma refeição que se resume a meia chávena de arroz e duas tortilhas”.
Afirmou ainda, de acordo com o The Guardian, que não existe “sabão,
desodorizante ou pasta de dentes”. Jason Crow, congressista democrata pelo
Colorado e antigo militar, alertou que a pressão sobre os membros da tripulação
e as suas famílias tem vindo a “aumentar semana após semana”.
“O mínimo que o país lhes deve é água quente, uma casa
de banho e uma refeição”
Entretanto, Pete Hegseth
classificou os relatos dos familiares da tripulação a bordo do USS Lincoln como
“mais notícias falsas”. A reação do secretário da Defesa dos EUA
motivou críticas de Mike Levin, que acusou Hegseth de ignorar os problemas
enfrentados pelos militares destacados no porta-aviões.
“Estes homens e mulheres alistaram-se para servir o seu
país. O mínimo que o país lhes deve é água quente, uma casa de banho a
funcionar e uma refeição a sério. Hegseth nem isso consegue, e ainda tem a
ousadia de olhar nos olhos das suas famílias e chamar-lhes mentirosas”, afirmou
o membro democrata do Congresso pela Califórnia, segundo o The Guardian.
Em declarações ao jornal britânico, um oficial da Marinha
norte-americana afirmou ter noção de que os “desdobramentos prolongados impõem
uma pressão significativa” sobre os militares e as suas famílias. No entanto,
garantiu que, “com base nas informações disponíveis”, não foi identificado um
“aumento de relatos de ideação suicida ou tentativas de suicídio a bordo do
navio”.
Apesar de ter reconhecido que o atual conflito com o Irão
interrompeu os centros de abastecimento tradicionais, o oficial disse que “os
relatórios atuais do navio confirmam o acesso contínuo a água potável, ar
condicionado a funcionar e opções de refeições saudáveis”.
O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego a 21 de novembro
com destino ao Pacífico, mas acabou por ser redirecionado para o Médio Oriente
após o início da guerra entre os EUA, Israel e Irão. Desde então, os mais de
cinco mil membros da tripulação tiveram apenas duas breves oportunidades para
pisar terra firme: uma escala em Guam, em dezembro, e outra em Omã, em julho,
revelou o MS Now.
O destacamento, que deveria ter terminado em maio, foi
sucessivamente prolongado devido à continuação do conflito, mantendo a
tripulação no mar durante um período sem precedentes. Só após as notícias
surgiu a hipótese de uma substituição.
Fonte: Observador, 13 de agosto de 2026
Forças armadas dos EUA desmentem notícias sobre crise
de saúde mental a bordo do USS Abraham Lincoln
Segundo
os relatos, o porta-aviões USS George Washington deverá agora substituir o
Abraham Lincoln no Médio Oriente
As forças armadas dos EUA estão a desmentir as notícias
sobre uma crise de saúde mental entre os tripulantes a bordo do porta-aviões
USS Abraham Lincoln, que se encontra no mar há mais de 260 dias, enquanto
participa nas operações de Washington no Médio Oriente.
Numa publicação nas redes sociais, o Comando Central dos EUA
(CENTCOM) afirmou que se verificaram "várias alegações falsas" e
"notícias erradas generalizadas" relacionadas com a mobilização do
porta-aviões e que a tripulação continuava "resiliente e
determinada".
Nos últimos dias, têm aumentado as preocupações quanto ao
bem-estar da tripulação e às condições a bordo do navio, o quinto porta-aviões
da classe Nimitz dos EUA e um dos maiores navios de guerra do mundo.
O senador norte-americano Richard Blumenthal, do Partido
Democrata, escreveu na quarta-feira ao secretário da Defesa dos EUA, Pete
Hegseth, e ao secretário interino da Marinha, Hung Cao, enumerando os problemas
relatados e exigindo saber que medidas estavam a ser tomadas.
"Tem havido relatos generalizados de escassez de bens
essenciais, contaminação da água, problemas de canalização, deterioração da
saúde mental, preocupações com a segurança nos conveses e perturbações no
sistema postal, o que fez com que muitos pacotes de apoio a caminho do navio se
perdessem em trânsito durante meses", escreveu Blumenthal, acrescentando
que "as recentes missões dos porta-aviões têm-se prolongado repetidamente
para além das durações inicialmente previstas".
Durante uma visita ao Panamá na quinta-feira, Hegseth
afirmou que as condições — muitas das quais tinham sido relatadas pelos meios
de comunicação militares Navy Times e Stars and Stripes — foram
"completamente deturpadas".
"Asseguramo-nos de que
cada navio, cada tripulação, cada capitão tenha tudo o que lhes podemos
fornecer a cada momento", referiu. "Algumas missões são
mais longas do que outras, e tenho mais respeito e gratidão por esses
marinheiros do que por qualquer outra pessoa."
O CENTCOM confirmou que um marinheiro "caiu ao
mar" a 3 de agosto, mas disse que foi "resgatado de forma rápida e
segura" da água.
O porta-aviões USS George Washington está, alegadamente,
prestes a substituir o Abraham Lincoln no Médio Oriente.
Os porta-aviões da classe Nimitz dos EUA são utilizados para
operar caças e para apoiar as tropas terrestres no estrangeiro. São também
utilizados em operações de segurança marítima contra ameaças terroristas ou
para proteger a navegação mercante.
O Abraham Lincoln tem vindo a participar na Operação Fúria
Épica, a campanha militar do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irão.
A operação teve início com uma série de ataques no final de
fevereiro e tem como objetivo "desmantelar o aparelho de segurança do
regime iraniano".
Fonte: Euronews, 14 de agosto de 2026
As injeções de testosterona de Pete Hegseth vão transformá-los em homens ao serviço em vez de mariquinhas aos lamentos pelos conveses.

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