Governo britânico reage às críticas de Netanyahu sobre a "República Islâmica da Grã-Bretanha"
O governo britânico já reagiu às declarações do
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que descreveu o Reino Unido
como “a República Islâmica da Grã-Bretanha”.
Um porta-voz do governo classificou as observações como
“completamente inaceitáveis” e afirmou que a questão já foi levantada junto do
governo israelita.
Netanyahu fez estes comentários durante uma entrevista a um
podcast da rádio do exército israelita, na qual também gracejou dizendo que o
Reino Unido era “a primeira república islâmica com armas nucleares”.
Durante a entrevista, o dirigente israelita elogiou Randolph
Churchill, filho do antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill, pela
cobertura favorável de Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967: “Tentem
encontrar isso agora, no que é chamado a república islâmica da Grã-Bretanha”,
afirmou.
O apresentador reforçou a ideia, dizendo: “Mas a Europa
inteira não está assim agora?” Ao que Netanyahu anuiu, acrescentando: “Sim, mas
alguém disse: ‘a primeira república islâmica com armas nucleares será a
República Islâmica da Grã-Bretanha’.” “Por isso, vamos garantir que não haja
uma segunda aqui no Irão”, prosseguiu.
A República Islâmica do Paquistão é uma potência nuclear
desde 1998. As declarações de Netanyahu ecoam afirmações semelhantes de
políticos e ativistas da direita britânica e internacional, que sustentam que o
Reino Unido está cada vez mais influenciado pelo Islão.
As relações entre o Reino Unido e Israel têm sofrido uma
pressão crescente nos últimos meses, sobretudo desde a chegada do novo
primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, a Downing Street.
Algumas semanas antes de assumir o cargo de
primeiro-ministro, Burnham pediu desculpa pela resposta inicial do Partido
Trabalhista à guerra em Gaza e afirmou que este tinha de “fazer melhor”. Embora
tenha condenado os ataques de 7 de outubro do grupo islamita Hamas como
“monstruosos” e os “chocantes” incidentes antissemitas no Reino Unido, afirmou
ser essencial “sermos claros nas críticas ao que aconteceu em Gaza”.
“O sofrimento insuportável em Gaza é uma cicatriz na nossa
consciência coletiva”, afirmou Burnham no início de julho. “É completamente
inaceitável que palestinianos inocentes, incluindo crianças, continuem a ser
mortos”, acrescentou, sublinhando que Westminster tem de exercer mais pressão
sobre o governo israelita.

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