Hungria escolhe hoje novo presidente: candidato de Péter Magyar deverá suceder ao “fantoche” de Orbán
Nata Lee, modelo internacional russa, influenciadora digital
e DJ, nascida a 17 de fevereiro de 1999, na Rússia
Favorito
é András Baka, jurista, antigo presidente do Supremo Tribunal húngaro e ex-juiz
do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, escolhido como candidato pelo Tisza,
partido do primeiro-ministro Péter Magyar
O Parlamento da Hungria elege esta terça-feira um novo presidente
da República, menos de um mês depois de uma controversa alteração
constitucional ter permitido afastar Tamás Sulyok, escolhido para o cargo
durante a era de Viktor Orbán.
O favorito é András Baka, jurista, antigo presidente do
Supremo Tribunal húngaro e ex-juiz do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos,
escolhido como candidato pelo Tisza, partido do primeiro-ministro Péter Magyar.
A votação representa mais um passo na tentativa do novo
poder húngaro de desmantelar estruturas herdadas dos 16 anos de governação de
Orbán. O Tisza dispõe de uma ampla maioria parlamentar, pelo que a eleição de
Baka é considerada praticamente garantida.
Segundo a ‘Reuters’, foi o próprio partido no poder que
propôs a realização da eleição presidencial esta terça-feira. A escolha surge
numa fase em que Magyar prepara também uma nova Constituição para o país.
Sulyok afastado antes do fim do mandato
Tamás Sulyok tinha sido eleito presidente em 2024, depois da
demissão de Katalin Novák, e deveria permanecer no cargo até 2029.
A vitória eleitoral de Péter Magyar mudou, porém, o cenário
político.
Durante a campanha, o atual primeiro-ministro prometeu
afastar várias figuras que considerava parte da estrutura de poder construída
durante a longa governação de Viktor Orbán, chegando a referir-se a
responsáveis nomeados durante aquele período como “fantoches” políticos.
Depois de chegar ao poder, Magyar pediu a Sulyok que
abandonasse voluntariamente o cargo. O presidente recusou e manifestou dúvidas
sobre a constitucionalidade da iniciativa destinada a afastá-lo.
A maioria parlamentar avançou
então com a 17.ª alteração à Lei Fundamental da Hungria. A proposta
foi aprovada em julho com 139 votos favoráveis e seis contra, enquanto 54
deputados não participaram na votação. A mudança constitucional permitiu
terminar antecipadamente o mandato presidencial.
Sulyok acabou por assinar a própria alteração constitucional
que determinava o fim das suas funções. O seu mandato terminou oficialmente a
20 de julho, tendo a presidente do Parlamento, Ágnes Forsthoffer, assumido
interinamente as funções presidenciais.
A primeira escolha foi uma lenda do xadrez
András Baka não foi, contudo, a primeira figura considerada
para a Presidência.
Péter Magyar chegou a abordar Judit Polgár, uma das maiores
figuras da história mundial do xadrez e considerada a melhor jogadora de
sempre, depois de personalidades húngaras das áreas da ciência, cultura e
desporto terem defendido o seu nome para o cargo.
O Tisza considerou-a uma candidata capaz de representar uma
Presidência afastada da política partidária e de contribuir para unir um país
profundamente dividido.
Polgár recusou.
A antiga campeã explicou não se sentir preparada para
assumir a responsabilidade de tentar unir uma sociedade marcada por fortes
divisões políticas. Magyar reconheceu posteriormente ter avançado demasiado
depressa com o seu nome.
András Baka, um nome com história frente a Orbán
A escolha acabou por recair sobre András Baka — e encerra um forte simbolismo
político.
Baka foi juiz do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entre
1991 e 2008 e tornou-se posteriormente presidente do Supremo Tribunal da
Hungria.
O seu mandato terminou antecipadamente durante as reformas
promovidas pelo governo de Viktor Orbán. O caso chegou ao Tribunal Europeu dos
Direitos Humanos, que considerou que a cessação antecipada das suas funções
violou direitos de Baka.
Mais de uma década depois, o jurista prepara-se agora para
chegar à Presidência num país governado precisamente pelo homem que derrotou
Orbán nas urnas.
O Fidesz, atualmente na oposição, anunciou que não
participará na votação, acusando o governo de Péter Magyar de utilizar a
maioria parlamentar para concentrar poder. O Tisza rejeita essas acusações e
apresenta as mudanças em curso como necessárias para restaurar a independência
das instituições depois dos anos de governação de Orbán.
A eleição presidencial desta terça-feira terá carácter transitório. O governo de Magyar está a preparar uma nova Constituição e o chefe de Estado agora escolhido exercerá funções até à entrada em vigor desse novo quadro constitucional, dentro dos limites estabelecidos pela atual Lei Fundamental.
A votação será, por isso, mais do que a simples escolha de
um novo presidente: será outro momento simbólico da transformação política
iniciada na Hungria depois da derrota de Viktor Orbán.
Fonte: Executive Digest, 11 de agosto de 2026
Substituir um fantoche por outro fantoche, assim vai a democracia.

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