Influenciadores portugueses viajaram a convite de Israel e entraram na Faixa de Gaza
A
entrada no território palestiniano ocorreu no dia em que um ataque israelita
matou uma família de seis pessoas. Com o controlo da Faixa de Gaza, Israel tem
negado a livre entrada de jornalistas internacionais, apesar dos sucessivos
pedidos de organizações, mas autorizou a entrada dos influenciadores
Um grupo de influenciadores portugueses viajou a convite do
Estado de Israel e entrou na Faixa de Gaza. O
embaixador israelita em Portugal garante que é algo habitual para combater a
imagem negativa que diz ser
veiculada pelos meios de comunicação social. A entrada no território
palestiniano ocorreu no dia em que um ataque israelita matou uma família de
seis pessoas.
Foi ao som de uma banda norte-americana e com o gesto de
vitória de Cristiano Ronaldo que Andreia Viegas retratou nas redes sociais a
saída do lugar que é palco de um dos mais mortíferos conflitos da atualidade.
“A verdade é que os túneis servem para esconder armas,
servem para mover terroristas, servem para guardar reféns.”
A visita aconteceu no mesmo dia em que um bombardeamento
israelita matou uma família de seis pessoas. O exército de Israel reconheceu o
ataque, mas diz que o alvo era um membro do grupo terrorista Hamas.
“Desde o 7 de outubro que sinto que existe uma narrativa
pré-fabricada em Portugal. Achei que era a oportunidade para ir e ver pelos
meus próprios olhos", afirma Rute Sousa, influenciadora.
Com o controlo da Faixa de Gaza, Israel tem negado a livre
entrada de jornalistas internacionais, apesar dos sucessivos pedidos de
organizações como os repórteres sem fronteiras e o comité para proteção de
jornalistas. Mas autorizou a entrada dos influenciadores.
“Não queríamos reportar só um dos lados, queríamos entrar em
Gaza, perceber as dinâmicas.”
A viagem de uma semana incluiu uma visita a Telavive e a
Kibutzs atacados pelo Hamas. Passou ainda por Jerusalém oriental, que as Nações
Unidas consideram ser território ocupado por Israel.
“É que aqui em Israel eles tiram a água do mar, extraem o
sal e há água com fartura para a população”, afirma Tiago Sousa, influenciador.
De acordo com as autoridades de saúde de Gaza, mais de 75
mil pessoas foram mortas desde o início da ofensiva, em outubro de 2023.
Convidada pela SIC a gravar entrevista, a embaixada de
Israel preferiu enviar esta declaração.
“Como a rotina de trabalho da embaixada de Israel,
encorajamos muitos portugueses a visitar Israel. Políticos, jornalistas,
pessoas de negócios e também influenciadores. A imagem do país em Portugal é
totalmente errada por causa da comunicação social em Portugal que é
anti-israelita. Espero que todos os portugueses possam ir a Israel e ver a verdade",
diz Oren Rozenblat, embaixador de Israel em Portugal.
Por altura da marca do orgulho gay, o convite foi feito a
outro influenciador, que recusou.
“Isto é uma questão de limpar a imagem. O problema é que há imagens
que nenhuma viagem de influenciadores pode apagar”, conta Kiko is Hot nas redes
sociais.
Segundo o jornal The Jerusalem Post, Israel
quadruplicou o orçamento para relações públicas.
Fonte: SIC Notícias, 29 de julho de 2026
Grupo de influenciadores portugueses visita Gaza a convite de Israel
Um
grupo de influenciadores portugueses visitou a Faixa de Gaza e os túneis do
Hamas a convite da Embaixada de Israel, numa viagem que gerou polémica após o
criador de conteúdos Kiko Is Hot recusar participar, acusando a iniciativa de
tentar "limpar a imagem" do Estado israelita
Um grupo de influenciadores portugueses esteve na Faixa de
Gaza e entrou nos túneis usados pelo Hamas a convite da Embaixada de Israel,
numa altura em que os jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar no
enclave.
Entre os influenciadores convidados, segundo as publicações
nas redes sociais, estão Rute Sousa, Andreia de Sousa Viegas, Tiago Sousa (TVDE
do Tuga), Rute Obadia, Romeu Monteiro e Bruno Fortunato.
Rute Sousa partilhou vários vídeos da visita à Faixa de
Gaza, incluindo aos túneis, descrevendo-os como uma "uma infraestrutura
preparada para que oficiais do Hamas conseguissem permanecer ali durante o
tempo que fosse necessário", "enquanto a população de Gaza enfrentava
a guerra à superfície".
"Há lugares que revelam muito sobre a forma de pensar de quem os constrói. Estes túneis mostram uma organização que investiu anos a preparar a guerra, a esconder os seus líderes no subsolo e a transformar o terror numa estratégia", atirou.
Já Andreia de Sousa Viegas afirmou que alguns túneis foram "construídos com o único objetivo de destruir vidas" e que os do Hamas "servem para esconder armas e terroristas e guardar reféns". "O que eu vi hoje representa a guerra", disse.
Tiago Sousa, por sua vez, partilhou fotografias a rezar no muro Ocidental e no local do Festival Nova.
Além da Faixa de Gaza, a viagem contou também com visitas a
Telavive, Jerusalém Oriental e aos kibutz atacados pelo grupo islamita Hamas no
ataque de 7 de outubro de 2023.
Em declarações à SIC Notícias, o embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, disse apenas: "Como rotina de trabalho da Embaixada de Israel, encorajamos muitos portugueses a visitar Israel. Políticos, jornalistas, pessoas de negócios, e também influenciadores. A imagem de Israel em Portugal é totalmente errada por causa da comunicação social de Portugal, que é anti-israelita. Espero que todos os portugueses possam ir a Israel e ver a verdade".
Influencer Kiko Is Hot recusou convite: "Questão de
limpar a imagem"
Por outro lado, o criador de conteúdos Kiko Is Hot
(Francisco Soares) rejeitou o convite da Embaixada de Israel, alegando que está
em causa uma estratégia "para limpar a imagem" do país.
Num vídeo publicado nas suas páginas, o criador de conteúdos mostrou a imagem do convite - feito pela assessora da embaixada de Israel - onde era possível ler que esta viagem seria "de uma semana com tudo incluído".
"Cada pessoa faz as suas escolhas, eu fiz a minha. Ao
contrário do que estes influenciadores acham, eles não foram convidados por
serem muito bonitos e muito lindos e muito bons naquilo que fazem e porque
Israel é um estado que adora dar. Não. Isto é uma questão de diplomacia
política, isto é uma questão de limpar a imagem ou apaziguar aquilo que nós
sabemos que Israel tem feito há bastante tempo", explicou.
"O problema é que há imagens que nenhuma viagem de influenciadores pode apagar. 70 mil pessoas já foram mortas no genocídio que Israel está a fazer à Palestina, muitas delas crianças. E atenção, isto não é sobre odiar israelitas. É sobre perceber o que se está a aceitar e como se está a usar a nossa influência numa operação de relações públicas enquanto o país e o mundo assistem a um dos maiores genocídios de sempre. Israel já violou várias vezes o código que existe, a ONU já avisou e eles não podem estar acima da lei", acrescentou Kiko is Hot.
Fonte: Notícias ao Minuto, 29 de julho de 2026



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