Inteligência artificial cria vírus que não existem na Natureza


 

Joe... cercati un posto per morire! (1968) - Jeffrey Hunter, Daniela Giordano (voz: Jula de Palma)

Com um modelo de inteligência artificial treinado com o material genético de milhões de plantas, animais, vírus e bactérias, cientistas conseguiram, pela primeira vez, que um sistema de IA conseguisse criar genomas completos de vírus que não se encontram na Natureza

Os cientistas esperam com este trabalho conseguir produzir vírus que ataquem bactérias resistentes e os primeiros resultados são promissores, com alguns dos novos vírus criados a conseguirem combater variantes de E.coli. No ar, fica o receio que a mesma tecnologia possa vir a ser utilizada para criar patógenos nocivos para os humanos.

A biologia sintética não é algo completamente novo e os investigadores já conseguiam reproduzir genomas previamente conhecidos, mas esta é a primeira vez que se criam de raiz genomas de vírus novos, com base em conhecimento assimilado por um sistema de IA. Tal como o ChatGPT ou o Gemini aprenderam a escrever absorvendo os padrões de linguagem de milhões e milhões de textos, o sistema EVO aprendeu estruturas de sequências genéticas e conseguiu criar novas, mostra um estudo divulgado na revista Science.

Segundo explica o The New York Times, os cientistas pegaram nas "receitas" geradas pela IA, produziram moléculas de vírus e inseriram-nos em bactérias. Os vírus são semelhantes ao PhiX174, inofensivo para humanos e muito bem estudado. No total, os investigadores escolheram 300 propostas de genoma para os tentar recriar e 16 mostraram-se viáveis.

A investigação testou então se os bacteriófagos - vírus que infetam e destroem apenas bactérias e são inofensivos para humanos - gerados conseguiam superar a resistência bacteriana, "um desafio central no desenvolvimento de terapias antimicrobianas baseadas em bacteriófagos", revela o estudo. Uma mistura dos vírus criados infetou "rapidamente estirpes de E. coli resistentes ao PhiX174, ao passo que uma mistura comparável de bacteriófagos de origem natural semelhantes ao PhiX174 não o conseguiu".

A escolha dos genomas de vírus para iniciar a investigação está relacionada com a simplicidade do ADN destes microrganismos, quando comparado com os genomas de uma bactéria ou do ser humano. O próximo passo de investigação será testar o sistema com outro tipo de vírus.

A preocupação de vários cientistas é que a inteligência artificial esteja a acelerar rapidamente o desenvolvimento tecnológico, mas que as medidas de segurança que impeçam um acidente grave ainda não estejam a postos. Ao jornal norte-americano, Moriz Hanke, investigador do Centro de Segurança Sanitária da Johns Hopkins, afirmou que os governos e as organizações científicas têm demorado a desenvolver medidas de proteção que possam impedir a criação de um vírus mortal.

Fonte: Jornal de Notícias, 7 de agosto de 2026

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