Juiz rejeita queixa de Trump contra Harvard relativa a manifestações anti-Israel
Um juiz federal norte-americano rejeitou hoje uma queixa
apresentada pelo Governo norte-americano contra a Universidade de Harvard,
acusada de ter tolerado comportamentos antissemitas durante manifestações
pró-palestinianas e anti-Israel no seu campus.
O juiz de Boston, Richard Stearns, considerou que a
administração do presidente republicano norte-americano, Donald Trump, não
conseguiu provar que Harvard tivesse violado uma disposição da lei dos direitos
civis que proíbe a discriminação com base na raça, na nacionalidade e noutros
critérios.
Desde o seu regresso à Casa Branca em janeiro de 2025,
Donald Trump lançou uma ofensiva contra as grandes universidades
norte-americanas, que acusa de darem “carta-branca” aos movimentos de apoio da
causa palestiniana face à ofensiva israelita na Faixa de Gaza, que equipara a
manifestações antissemitas.
De um modo mais geral, critica estas universidades por serem
focos de contestação progressista.
Na queixa apresentada em março, a administração Trump
acusava Harvard de ter permitido que se desenvolvesse no seu campus “um clima
propício a comportamentos antissemitas e anti-israelitas”, acusação rejeitada
pela universidade, que denunciou uma ação de retaliação contra a instituição de
ensino.
“Os professores e a direção de Harvard fecharam os olhos ao
antissemitismo e à discriminação contra judeus e israelitas”, afirmou o
Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acrescentando: “Harvard permitiu
que manifestantes anti-Israel ocupassem as suas bibliotecas. Harvard permitiu
que um acampamento anti-Israel se mantivesse durante 20 dias, violando a
política da universidade”.
Ao aceitar o pedido de Harvard para indeferir esta ação
judicial, o juiz federal considerou que os incidentes invocados pela
administração Trump eram “demasiado isolados e esporádicos” para provar uma
violação da lei dos direitos civis.
Paralelamente, a administração Trump decidiu congelar
milhares de milhões de dólares de financiamento destinados à universidade mais
antiga dos Estados Unidos, acusando-a, mais uma vez, de tolerar o
antissemitismo e de favorecer posições liberais.
Em setembro, um juiz federal anulou esta medida e ordenou a
restituição dos fundos.
Fonte: Lusa, 13 de agosto de 2026

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