Milei propõe reformas que permitem encerramento do governo em caso de défice prolongado
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou esta
quinta-feira um pacote de reformas centradas no Banco Central e na disciplina
fiscal, que propõem um mecanismo de encerramento automático da Administração
Pública em caso de défice prolongado.
Entre as medidas, Milei propõe uma nova Carta Orgânica do
Banco Central, que proíbe a instituição de
emitir moeda para financiar o Estado -
seja ele nacional, provincial ou municipal - e de adquirir títulos da dívida
pública do Estado no mercado primário.
O projeto, que exige ainda aprovação do Parlamento
argentino, também quer reforçar a independência do Banco Central, exigindo dois
terços dos votos do Senado e da Câmara de Deputados para destituir o presidente
ou membros do conselho de administração.
O chefe de Estado, que já durante a campanha de 2023
prometera fechar o Banco Central, por considerá-lo responsável pela inflação,
afirmou que a reforma "põe fim a 91 anos de saque, expropriação e
decadência". A iniciativa limita ainda o pagamento de dividendos e
estabelece que o envio de lucros ao Tesouro só poderá ser feito para amortizar
dívida.
Em paralelo, Milei apresentou uma regra permanente que
impede a aprovação de orçamentos deficitários, designada como "algemas
fiscais".
Caso o resultado fiscal seja negativo durante vários meses
consecutivos, o Parlamento terá algumas semanas para corrigir as contas; se não
o fizer, entrará em vigor um `shutdown` (encerramento), que paralisará
atividades não essenciais do Estado, congelará novas despesas, suspenderá
contratações e travará transferências para as províncias do país.
Durante esse período, altos
cargos políticos - incluindo presidente, vice-presidente, senadores, deputados
e ministros - deixarão de receber salários.
O presidente argentino detalhou ainda projetos para uma
"liberalização profunda" do mercado de capitais, permitindo a emissão
de obrigações corporativas em moeda estrangeira, e para a desregulação do setor
segurador, dando liberdade total às companhias para desenhar produtos sem
autorização prévia do regulador.
A apresentação das reformas ocorre três dias após a visita a
Buenos Aires da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI),
Kristalina Georgieva, que saudou os progressos de "estabilidade
macroeconómica e financeira" desde a chegada de Milei ao poder em 2023.
O FMI já manifestou apoio à
reforma do Banco Central, considerando-a essencial para o regresso
da Argentina aos mercados internacionais de crédito.
Fonte: RTP, 31 de julho de 2026

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