Ministro das Finanças francês diz que plano de Mélenchon é “manguito” à zona euro
O ministro da Economia e Finanças francês, Roland Lescure,
criticou hoje as propostas económicas do candidato presidencial de esquerda
radical, Jean-Luc Mélenchon, comentando que a
sugestão de anular parte da dívida pública seria um “manguito” à zona euro.
No domingo, o líder do partido França Insubmissa –
atualmente o candidato da esquerda mais bem posicionado para enfrentar numa
segunda volta das eleições presidenciais do próximo ano a candidata de
extrema-direita Marine Le Pen, que lidera as sondagens – defendeu que o Banco
de França recompre cerca de 20% da dívida do Estado francês, algo que o
ministro das Finanças francês considerou hoje que desencadearia certamente uma
crise financeira, além de ser “um enorme desrespeito para com os restantes
membros da zona euro”.
“Na verdade, sai-se do euro porque se diz: ‘não respeito as
regras da casa comum’. É estar a fazer um enorme manguito aos outros membros da
zona euro”, comentou hoje Lescure, em declarações à BFMTV e à RMC.
De acordo com o responsável das pastas da Economia e
Finanças de França, a proposta de Mélanchon aumentaria os custos de
financiamento do país, já que Paris deixaria de ter credibilidade junto dos
credores.
“Os credores dirão: ‘o Estado
francês acabou de dizer que não paga 20% da sua dívida’. O que vão dizer? ‘Já
não lhe empresto a [juros de] 4%, empresto-lhe a 4,5% ou a 5%’”,
afirmou, salientando que a taxa de juro dos títulos da dívida soberana francesa
há 10 anos se situa em cerca de 4%, níveis que, argumenta, não se viam há cerca
de duas décadas.
Na entrevista de hoje, Roland Lescure também criticou o
empresário e banqueiro Matthieu Pigasse, à frente do grupo de comunicação
social e empresas culturais Grupo Combat, que participou este fim de semana na
universidade de verão do partido França Insubmissa de Mélenchon e defendeu a
possibilidade de anular a dívida pública sem consequências económicas ou
financeiras.
“A realidade é que, se Jean-Luc Mélenchon fizer o que o
senhor Pigasse diz, na minha opinião, isso significará uma crise financeira”,
advertiu o ministro, que atribuiu parte do aumento dos custos de financiamento
franceses à incerteza política.
Nesse sentido, o ministro apelou aos grupos parlamentares
para que apoiem o Orçamento do Estado francês para 2027, um orçamento que
Mélenchon anunciou na véspera que o seu grupo irá rejeitar.
A França enfrenta o desafio
de manter o seu défice público próximo dos 5% do PIB em 2026, depois de ter registado um défice de
5,1% em 2025.
As próximas eleições presidenciais francesas serão as
primeiras desde 2012 sem Emmanuel Macron como candidato, uma vez que a
Constituição impede o atual chefe de Estado, eleito em 2017 e reeleito em 2022,
de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
À frente das sondagens está Marine Le Pen, líder do União
Nacional, de extrema-direita, que oficializou a candidatura em julho.
No centro, concorrem os ex-primeiros-ministros Edouard
Philippe e Gabriel Attal, enquanto na direita tradicional o ex-ministro do
Interior Bruno Retailleau foi designado candidato pelo seu partido, mas as mais
recentes sondagens apontam Mélenchon como o candidato atualmente com mais
possibilidades de passar a uma segunda volta.
Fonte: Lusa, 24 de agosto de 2026

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