Ministro israelita quer impedir presidente da Palestina de regressar à Cisjordânia
Israel
controla todas as passagens de fronteira externas, pontos de entrada e saída
que ligam a Cisjordânia ocupada ao mundo exterior, como a fronteira com a
Jordânia, bem como a entrada em Israel, e apenas os palestinianos com cidadania
israelita podem voar legalmente através do Aeroporto Ben Gurion, em Telavive
O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, pediu
ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que impeça o presidente da
Palestina, de regressar à Cisjordânia após a sua visita de dois dias à Turquia.
"A visita de Mahmoud Abbas a Erdogan, que declara
abertamente a sua ambição antissemita de destruir o Estado de Israel, revela
mais uma vez a verdadeira natureza de Mahmoud Abbas: um inimigo que lidera uma
organização terrorista que fomenta e financia o terrorismo contra o Estado de
Israel", disse o supremacista judeu e colonizador Bezalel Smotrich, numa
mensagem publicada na rede social X na noite de terça-feira.
Na mesma publicação, o ministro das Finanças de Israel
instou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, "a aproveitar
esta oportunidade" e a impedir o regresso de Mahmoud Abbas a Israel e à
Judeia e Samaria (nomes bíblicos para a Cisjordânia ocupada), afirmando que
"a organização terrorista palestiniana deve ser desmantelada".
Israel controla a fronteira
Israel controla todas as passagens de fronteira externas,
pontos de entrada e saída que ligam a Cisjordânia ocupada ao mundo exterior,
como a fronteira com a Jordânia, bem como a entrada em Israel, e apenas os
palestinianos com cidadania israelita podem voar legalmente através do
Aeroporto Ben Gurion, em Telavive.
Mahmoud Abbas chegou a Ancara na terça-feira à noite para
uma visita oficial de dois dias, durante a qual se vai reunir com o presidente
turco, Recep Tayyip Erdogan, para discutir "os últimos acontecimentos
políticos, a contínua agressão e as violações contra o povo palestiniano",
informou a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa.
Esta cimeira palestiniano-turca faz parte das consultas
políticas regulares levadas a cabo pelos dois presidentes, dadas as suas
relações históricas partilhadas.
Fonte: SIC Notícias, 12 de agosto de 2026
Israel procura "apagar a Palestina da agenda
mundial" – Erdogan
O presidente
turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou hoje Israel de procurar "apagar a
Palestina da agenda mundial” e prometeu continuar a defender “com máxima
firmeza” a causa palestiniana
"É evidente que o governo de Netanyahu procura apagar a
Palestina da agenda mundial, explorando o caos e os novos conflitos na região.
Faça o que fizer, não terá sucesso", declarou o chefe de Estado turco numa
conferência de imprensa em Ancara com o presidente da Autoridade Palestiniana,
Mahmoud Abbas.
"A causa palestiniana continuará a ganhar importância
no coração do povo, apesar dos esforços para a destruir. A Turquia continuará a
defender a causa palestiniana com a máxima firmeza e em todas as
instâncias", prosseguiu Erdogan.
"Apesar da atitude construtiva dos nossos irmãos e
irmãs palestinianos, o atual governo israelita persiste no seu comportamento
agressivo", acrescentou o presidente turco.
Mahmoud Abbas defendeu que "uma paz justa só pode ser
alcançada com o fim da ocupação [israelita nos territórios palestinianos] e o estabelecimento de um Estado palestiniano
independente, com Jerusalém Oriental como a sua capital".
“Apoiamos os esforços internacionais para implementar a
Resolução 2803 para garantir o fim da guerra, a restauração da legitimidade
palestiniana em Gaza e a transição para um processo político, reafirmando que a
Faixa de Gaza é parte integrante do Estado da Palestina”, acrescentou.
Erdogan, acérrimo defensor da causa palestiniana, acusa
regularmente Israel de perpetrar genocídio contra os palestinianos na Faixa de
Gaza, motivando protestos por parte do governo israelita.
O presidente turco tem visado particularmente o
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que chegou a comparar por
diversas vezes a Adolf Hitler, líder do regime
nazi alemão responsável pelo Holocausto contra os judeus.
Depois de a África do Sul ter apresentado uma queixa contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) em 2023, acusando este país de violar a Convenção sobre o Genocídio de 1948 com as suas ações militares em Gaza, a Turquia pediu formalmente em 2024 para participar no processo como interveniente, juntando-se a Espanha, México, Colômbia, Nicarágua e outros países.
Ancara apresentou uma declaração de 43 páginas ao TIJ, em
que o ministério dos Negócios Estrangeiros turco justificou a medida como um
reflexo da importância que atribui à resolução da questão palestiniana
"dentro do quadro da lei e da justiça".
Os trâmites do caso ainda prosseguem no TIJ, cujas decisões
finais podem demorar anos.
Fonte: Lusa, 12 de agosto de 2026

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