Mulheres por catálogo, clientes futebolistas e tráfico sexual. Ministério Público acusa 12 pessoas no caso do Elefante Branco
A
antiga boîte de Lisboa é o centro de um esquema milionário de exploração
sexual, lenocínio e branqueamento de capitais. Entre os clientes habituais
estavam empresários, agentes da autoridade e jogadores de futebol
O Ministério Público deduziu acusação contra 12 pessoas no
âmbito do processo que envolve o Elefante Branco, uma das mais conhecidas casas
de noite da capital, situada na Rua do Conde Redondo, em Lisboa, e encerrado no
ano passado.
Em causa estão crimes de tráfico de pessoas para fins de
exploração sexual, lenocínio, branqueamento de capitais, associação criminosa e
tráfico de estupefacientes.
De acordo com a acusação do Ministério Público, citada pelo
“Correio da Manhã”, o espaço de diversão noturna funcionava como palco
de uma rede lucrativa de prostituição. As mulheres eram escolhidas através de
autênticos “catálogos” por uma clientela diversificada que incluía empresários,
polícias e jogadores de futebol, tanto nacionais como internacionais.
As interceções telefónicas realizadas ao longo da
investigação do Ministério Público revelaram-se determinantes para desmantelar
toda a operação. Num dos episódios documentados, o proprietário do
estabelecimento, Luís Torres, atendeu o pedido de um amigo que pretendia
selecionar várias mulheres, entre um grupo de 80, para se encontrarem num hotel
com uma equipa de futebolistas italianos.
Nas conversas gravadas, o dono do espaço fixava o preço em 500 euros por mulher
“se quisesse levar gajas em condições” e questionava diretamente sobre
as preferências estéticas do cliente: “Queres loira? Morena? Com bomba ou sem
bomba?”.
Entre os arguidos agora acusados figura também Pedro Gameiro, um nome já conhecido das
autoridades por envolvimento anterior no “gangue de Alfredo Morais”, que
garantia a segurança do local no início dos anos 2000. O Ministério Público
refere que Pedro Gameiro trazia para a estrutura o “know-how” na angariação e
exploração sexual de mulheres, segundo a mesma publicação.
O negócio gerava quantias elevadas. Em conversas
intercetadas, o proprietário do Elefante Branco gabou-se
de faturar cerca de 250 mil euros por mês
apenas no espaço da noite.
A investigação apurou ainda que as contas das várias
empresas do suspeito, que se encontra atualmente em prisão preventiva,
movimentaram mais de 22 milhões de euros.
Entre fevereiro de 2019 e maio de 2025, o estabelecimento
registou a venda de mais de oito milhões de euros de bebidas cobradas
exclusivamente através de pagamentos por cartão. No mesmo período, foram pagas
mais de 2,7 milhões de euros em comissões a 513 mulheres.
Fonte: MAGG, 17 de agosto de 2026

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