Mundial 2030: Infantino terá oferecido a final a Marrocos, em troca de apoio
Mário Cesariny, Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro, António
Aragão
Gianni Infantino terá oferecido a Marrocos a final do
Mundial 2030, sediado também por Portugal e Espanha, em troca de apoio à
recandidatura eleitoral, revela o Times.
De acordo com a publicação britânica, o presidente da FIFA
estará a persuadir algumas federações – além de se agarrar ao governo
norte-americano – depois de Sérvia, Suécia e País de Gales recuarem no apoio à
recandidatura, alinhando com Alemanha, Roménia e Noruega.
De recordar que Infantino agendou uma reunião de emergência
com a cúpula da FIFA para esta quarta-feira, em Marrocos. No final, o dirigente
suíço não falou aos jornalistas. As eleições da FIFA realizam-se em março de
2027, em Rabat, capital de Marrocos.
Entretanto, a FIFA desmentiu que Infantino tenha oferecido a
Marrocos a final do Mundial 2030.
Por sua vez, o Times destaca a importância do apoio
marroquino para Infantino, que aponta ao quarto e último mandato e precisa de,
pelo menos, 106 votos das 211 federações no próximo Congresso da FIFA. Marrocos tem sido
um aliado desde 2016 e deseja acolher a final de 2030 no Estádio Hassan II, a
ser construído em Casablanca e com capacidade para 115 mil pessoas.
Antes de se fixar em Portugal, Espanha e Marrocos, o Mundial
2030 vai celebrar o centenário da prova com três jogos entre Argentina,
Paraguai e Uruguai, anfitrião e vencedor da edição inaugural (1930).
Na origem deste turbilhão está o plano milionário para
vender parte dos direitos do Mundial a privados. Entretanto, a UEFA ainda
pondera avançar com uma ação judicial contra a FIFA, a CONCACAF retirou o apoio
à recandidatura do ainda presidente e a estrutura interna ruiu com sucessivas
críticas de dirigentes escolhidos por Infantino.
Apelo ao escrutínio independente
A Sport Integrity Global Alliance (SIGA) considerou que «a
confiança no desporto exige escrutínio independente», referindo-se à crise na
FIFA.
«As questões levantadas são graves. Tocam no âmago da
responsabilização institucional, da transparência, da consulta e da confiança.
Embora o foco imediato seja a FIFA, as questões em causa estendem-se a todo o
sistema do futebol e ao ecossistema mais vasto do desporto», lê-se em
comunicado.
A SIGA, cujo diretor-executivo é o português Emanuel Macedo
de Medeiros, apela à FIFA para que «realize voluntariamente uma revisão independente dos seus processos de governação
e de tomada de decisão, como demonstração do compromisso com os mais elevados padrões
de governação, transparência e prestação de contas».
Os participantes na reunião da SIGA apelam a que o
escrutínio independente e a certificação se tornem a norma no desporto em
geral. Segundo a instituição, este princípio deve aplicar-se à FIFA, às
confederações continentais, às federações nacionais de futebol, às ligas, aos
clubes e a todas as outras organizações desportivas.
Em contraponto com o que observam na FIFA, os participantes
reafirmaram a abordagem «independente, imparcial e cooperativa» da SIGA, num
percurso de «ações que continuarão a ser pautadas pela integridade no desporto,
pela boa governação e pela prestação de contas».
A SIGA entende que os seus Padrões Universais de Integridade
no Desporto constituiriam «a referência para a revisão». Considera ainda que a
implementação de quaisquer reformas daí resultantes poderia posteriormente ser
avaliada e certificada de forma livre através do Sistema Independente de
Classificação e Verificação da SIGA (SIRVS).
Fonte: Maisfutebol, 5 de agosto de 2026

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