Pela primeira vez, um ciberataque quase totalmente autónomo atingiu um governo
iCarly
(2007–2012) - Jennette McCurdy, Miranda Cosgrove, Nathan Kress
Um
grupo de hackers, suspeito de ter ligações à China, recorreu a agentes de
Inteligência Artificial (IA) de código aberto para conduzir um dos ataques
informáticos mais sofisticados alguma vez documentados contra um governo. O
caso, revelado esta semana por Taiwan, mostra como a IA está a mudar as regras
da ciberguerra
O ministério dos Assuntos Digitais de Taiwan confirmou que,
em julho, várias agências governamentais foram alvo de um ataque informático
"anómalo", com origem no estrangeiro.
Segundo as autoridades, citadas pela CNBC, os atacantes
combinaram técnicas manuais tradicionais com o apoio de agentes de IA, entre os
quais o OpenClaw, um assistente de
código aberto amplamente utilizado.
As primeiras equipas de segurança detetaram a atividade
suspeita ainda em julho, tendo o Instituto Nacional de Cibersegurança emitido
uma série de alertas a partir do dia 20 desse mês, enquanto decorria a
investigação.
Entretanto, Taiwan garantiu já ter identificado a origem, os métodos e o alcance do ataque, e que as agências afetadas concluíram o processo de resposta.
Uma campanha quase totalmente autónoma
Os detalhes mais reveladores vieram da empresa israelita
de cibersegurança Dream, que conseguiu recuperar o
"ambiente de trabalho" completo dos atacantes, um arquivo de cerca de
160 MB com quase 1400 ficheiros, a documentar a operação praticamente em tempo
real.
De acordo com a Dream, os atacantes usaram duas ferramentas
de IA de código aberto, a Hermes e a OpenClaw, para montar um sistema capaz de
agir com um grau de autonomia raramente visto até hoje.
Ao longo de quatro dias, chegaram a correr até oito agentes
de IA em simultâneo, que mapearam 21 sistemas governamentais, comprometeram 85
contas e roubaram mais de 2500 registos pessoais, antes de alargarem o ataque à
agência de segurança nuclear de Taiwan e a pelo menos sete empresas do setor
energético.
Um pormenor que chama
especialmente a atenção dos especialistas
é que os agentes de IA foram, aparentemente, capazes de contornar as
suas próprias barreiras de segurança ao serem instruídos a tratar a operação
como se fosse um teste de penetração autorizado, e não um ataque real.
Ferramentas gratuitas, mas impacto gigante
Curiosamente, nem o Hermes nem o OpenClaw são ferramentas
exclusivas ou de acesso restrito. Ambas são gratuitas, de código aberto, e
foram criadas para fins totalmente legítimos, nomeadamente automatizar tarefas
complexas e permitir que modelos de IA atuem em nome de um utilizador.
Não é necessária qualquer credencial especial, acesso
empresarial ou modelo de IA proprietário para as usar desta forma.
Os investigadores não conseguiram apurar qual o modelo de IA
por detrás destes agentes. Ainda assim, várias vozes na comunidade de
cibersegurança já apontam este caso como um dos primeiros exemplos públicos de
um ciberataque quase totalmente autónomo contra um alvo governamental.
Apesar da narrativa de "ataque autónomo",
especialistas como Cris Thomas, da Semgrep, pedem alguma cautela, pois continua
a existir um humano na equação, responsável por escolher o alvo e definir os
objetivos da operação. A IA acelera e escala o ataque, mas não decide, sozinha,
quem atacar.
Um novo capítulo na tensão entre Taiwan e a China
Taiwan não identificou publicamente a China como responsável
pelo ataque, mas os investigadores da Dream encontraram, no arquivo recuperado,
comunicações internas em chinês simplificado associadas à operação.
De facto, a ilha reporta, há vários anos, uma pressão
crescente por parte de Pequim, que combina exercícios militares, campanhas de
desinformação e ciberataques naquilo que as autoridades taiwanesas descrevem
como "guerra híbrida".
Conforme informámos anteriormente, só em 2025, Taiwan
registou uma média de 2,63 milhões de ataques informáticos por dia, mais 6% do
que no ano anterior.
Fonte: pplware, 15 de agosto de 2026

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