Presidente do Tribunal Penal Internacional alerta para “fim do Estado de direito internacional”
A presidente do Tribunal Penal Internacional, a japonesa
Tomoko Akane, alertou esta sexta-feira para “o fim do Estado de direito
internacional”, depois de os Estados Unidos lhe terem imposto sanções.
“A sanção contra mim, desta vez, era algo que, em certa
medida, já antecipava, por isso não estou surpreendida”, afirmou Akane numa
declaração divulgada na rede X pela sua editora, Bungei Shunju.
“O importante é não deixar que isto marque o início do fim
do Estado de direito internacional.”
Os Estados Unidos sancionaram na terça-feira Tomoko Akane e
o advogado de julgamento senegalês Abdoulaye Seye, no quadro da campanha da
administração Trump contra o que denomina um
órgão “corrupto e fatalmente politizado”.
As
medidas impedem-nos de entrar nos Estados Unidos e de realizar transações no
sistema financeiro norte-americano.
Num comunicado, o secretário de Estado norte-americano,
Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam a sancionar a presidente do TPI, Tomoko
Akane, bem como o advogado sénior de julgamento Abdoulaye Seye, acusando-os de se envolverem “diretamente em esforços do
TPI para investigar, deter, prender ou julgar responsáveis cujo governo não
tenha consentido na jurisdição do tribunal”.
A declaração de Akane, as primeiras palavras públicas desde
a imposição das sanções, surge depois de o TPI ter criticado duramente, na
quarta-feira, os Estados Unidos, qualificando as medidas como um “ataque
flagrante” à independência do tribunal.
Washington tem acusado repetidamente o TPI de “ações politizadas” e de ter Israel como alvo.
O TPI emitiu um mandado de detenção contra o
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em novembro de 2024,
relacionado com a guerra em Gaza.
Embora nem Israel nem os Estados Unidos sejam
Estados-membros do TPI, a Palestina é membro desde 2015, o que permite ao
tribunal analisar crimes alegadamente cometidos no seu território.
Apoio da UE
No início da semana, os presidentes da Comissão Europeia e
do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, expressaram apoio ao
TPI após as mais recentes sanções norte-americanas.
“O TPI contribui para levar justiça às vítimas de alguns dos
crimes mais horrendos do mundo”, afirmaram os dois dirigentes da UE numa
declaração.
“Para realizar este trabalho essencial, os seus juízes e
funcionários têm de poder atuar de forma independente e sem pressões externas”,
acrescentaram.
Também na quarta-feira, os Países Baixos criticaram de forma
contundente a decisão dos Estados Unidos, com o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Tom Berendsen, a afirmar que o seu governo “desaprova” as
sanções.
Um porta-voz do governo alemão afirmou igualmente que Berlim
mantém o apoio ao TPI, sublinhando que o tribunal “tem responsabilizado os
culpados dos crimes mais graves” e está “a cumprir o seu mandato exatamente
como previsto”.
Fonte: Euronews, 21 de agosto de 2026

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