Quem faz as malas ao embaixador de Israel?

 

Tem um discurso musculado e agressivo.

Detesta ser contrariado em direto como se os canais de televisão fossem a sua travessa do Fala-Só e ele uma figura caricata a fazer lembrar os tolos que levantam a voz na rua só para se ouvirem.

Quando não gosta de manifestações nem opiniões pró-Palestina, é vê-lo a insultar os participantes em "comícios de terroristas" e a chamar-lhes altifalantes do Hamas.

Desanca jornalistas, ativistas, políticos e outras personalidades, das redes sociais à imprensa, como se fosse dono disto tudo. Um dos passatempos favoritos do senhor embaixador de Israel é a "revista de imprensa" que faz em tom azedo quando as notícias sobre Israel ou Gaza o indispõem. Tendo em conta o carácter genocida do seu governo, espanta que não passe a vida nesses preparos. Mas, claro, é para isso que servem os influencers de pacote, "tudo incluído".

O senhor embaixador também repreende os jornalistas por causa das perguntas que eles não fazem aos inimigos de Israel e gostava que o governo e as autarquias proibissem a entrada de artistas ou figuras públicas incómodas ao seu palato. Portugal ainda não é a Faixa de Gaza, mas as palavras e ações do senhor embaixador são o postal ilustrado do que nos calharia em sorte se a geografia fosse outra.

Nos meios diplomáticos, comenta-se que o senhor embaixador anda a esticar-se: presta-se a demasiadas liberdades oratórias e a inusitadas pressões no cargo que ocupa. Por muito menos, uma antiga embaixadora da Síria foi devolvida à procedência, há uns anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já o repreendeu por causa de uma declaração "desajustada" sobre Portugal, mas isso são cócegas para quem negou o conteúdo de relatórios das Nações Unidas sobre a fome em Gaza e agora torceu de tal forma um documento da UNICEF que a verdade ia morrendo asfixiada.

O senhor embaixador de Israel diz-se incomodado com o antissemitismo cá do burgo. Detesta que o apoquentem com dados da ONU, da Organização Mundial de Saúde ou estatísticas de crianças mortas e jornalistas assassinados. Pudesse ele e todas as instituições similares já seriam territórios ocupados. À boa maneira israelita.

Não sei o que é preciso mais para que o senhor embaixador de Israel seja declarado persona non grata em Portugal, dada a sua já longa lista de patranhas, interferências e insultos. Ah, mas uma coisa sei: fosse ele um indiano da Uber Eats ou uma suposta refugiada de servir à mesa e já o Chega o tinha mandado para a sua terra. Com os grandes e fortes, porém, o menino rabino das televisões e dos Tik Toks não se mete. Nesses casos, só está mesmo disponível a versão castrati de recreio. Logo agora que precisávamos de alguém que fizesse Portugal grande outra vez.

Fonte: Rádio Renascença, 10 de agosto de 2026

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